
DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
Natural de Wenceslau Braz, no Norte Pioneiro, Emanuel Cavalar chega às eleições de 2026 para sua primeira disputa por um cargo eletivo. Aos 30 anos, o candidato do Progressistas (PP) busca uma vaga na Câmara dos Deputados depois de construir parte de sua trajetória profissional dentro da estrutura do Governo do Paraná.
Cavalar passou pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, pela Secretaria da Fazenda e, posteriormente, pela Casa Civil. Na Fazenda, atuou no gabinete do secretário e participou diretamente dos trabalhos relacionados a duas mudanças na cobrança do IPVA no Paraná: a isenção do imposto para motocicletas de até 170 cilindradas e a redução de 45% na alíquota do IPVA dos automóveis.
Segundo Cavalar, a passagem por diferentes áreas permitiu conhecer tanto a elaboração de políticas públicas quanto o caminho percorrido até que as decisões do Estado chegassem aos municípios. “Isso me permitiu enxergar diferentes lados da gestão pública: desde a elaboração e execução de políticas até a relação direta com os municípios e com quem está na ponta”, afirmou.
Durante esse período, Cavalar também acompanhou demandas apresentadas por prefeitos e lideranças municipais. Para ele, essa experiência mostrou que a execução de uma política pública depende não apenas da decisão política, mas também de articulação e acompanhamento. “Política pública não acontece apenas no discurso. Ela exige conhecimento, articulação, responsabilidade e, principalmente, acompanhamento para que aquilo que foi planejado realmente chegue à população.”
Apesar da passagem pelo Executivo estadual, Cavalar nunca exerceu um mandato eletivo. Agora, estreia nas urnas tentando chegar diretamente à Câmara dos Deputados. Para justificar a decisão, defende a renovação política, mas argumenta que ela precisa ir além da simples troca de nomes. “Renovar não significa simplesmente trocar pessoas; significa também trazer novas ideias, novas perspectivas e, principalmente, disposição para trabalhar”, disse.
O candidato afirma que sua entrada na disputa é consequência da trajetória na gestão pública e do contato mantido com municípios, produtores, empresários e servidores. Também coloca sua origem como parte importante do projeto político.
“Eu sou de Wenceslau Braz, sou do Norte Pioneiro e conheço as potencialidades e as dificuldades da nossa região”, afirmou.
Ao analisar o atual momento do Norte Pioneiro, Cavalar avalia que a região vive uma fase de crescimento que precisa ser acompanhada por planejamento. Agricultura, cooperativismo, agroindústria, comércio, indústria e turismo aparecem entre os setores citados pelo candidato como caminhos para ampliar emprego e renda.
Para ele, um dos desafios é fazer com que a produção regional gere mais riqueza dentro dos próprios municípios. “Se produzimos, precisamos industrializar mais. Se temos turismo, precisamos estruturar melhor. Se temos produtores, precisamos criar condições para que eles possam crescer”, afirmou.
Cavalar entende que a atuação de um deputado federal nesse processo passa pela articulação de investimentos em infraestrutura, saúde, educação, saneamento, logística e desenvolvimento econômico.
“O nosso desafio agora não é apenas crescer. É fazer com que esse crescimento seja sentido na vida de quem mora aqui”, declarou.
A experiência no contato com administrações municipais também aparece quando Cavalar fala sobre a relação entre o Norte Pioneiro e Brasília. Segundo ele, muitas prefeituras conhecem seus problemas e possíveis soluções, mas enfrentam dificuldades para acessar estruturas capazes de viabilizar projetos.
Entre as demandas mencionadas estão infraestrutura, saúde, educação, saneamento, habitação e estradas, além de políticas de desenvolvimento econômico. Na área rural, destaca que investimentos em estradas interferem diretamente no escoamento da produção, transporte escolar e circulação econômica. “Minha origem é uma referência, não uma fronteira”
Embora tenha ligação direta com o Norte Pioneiro, Cavalar reconhece que um deputado federal representa todo o Paraná. Segundo ele, as diferenças entre as regiões exigem uma atuação capaz de compreender realidades distintas.
“O Norte Pioneiro tem suas características, mas o Oeste tem outras, os Campos Gerais têm outras, o Sudoeste tem suas necessidades, o Noroeste tem as suas, e o Litoral enfrenta desafios completamente diferentes”, afirmou.
“Sou jovem, mas não sou inexperiente. Sou do interior, mas conheço os caminhos da gestão pública.”
Ao definir como pretende conciliar sua origem com uma eventual atuação estadual, resume: “Minha origem é uma referência, não uma fronteira”.
Produtor agropecuário, Cavalar coloca o setor entre as prioridades que pretende levar para Brasília. O candidato defende políticas voltadas principalmente aos pequenos e médios produtores, envolvendo crédito, assistência técnica, tecnologia, seguro rural, armazenagem e infraestrutura.
Outra bandeira apresentada é a agroindustrialização. “Nós não podemos nos conformar em produzir e mandar a matéria-prima para ser industrializada em outro lugar. Precisamos estimular cada vez mais a agroindustrialização nos nossos municípios”, disse.
Além da agricultura, Cavalar aponta a geração de emprego e renda como uma das pautas de eventual mandato. Defende melhores condições para novos investimentos e redução de entraves burocráticos para quem pretende empreender.
Também afirma que a atuação parlamentar não pode ficar restrita às emendas. Embora considere os recursos importantes para os municípios, diz que o mandato deve incluir participação na elaboração de leis e fiscalização da aplicação do dinheiro público.
“O Congresso não existe apenas para criar leis. Existe também para acompanhar o uso do dinheiro público e cobrar resultados”, afirmou.
A falta de experiência eleitoral é um dos pontos que acompanham a candidatura. Cavalar nunca ocupou cargo eletivo e tenta chegar à Câmara dos Deputados em sua primeira disputa.
Questionado sobre o que o credencia para ocupar uma das cadeiras destinadas ao Paraná, argumenta que a preparação para o Legislativo pode ser construída antes da conquista de um mandato.
“Preparação, para mim, não começa no dia em que você recebe um diploma de deputado. Ela é construída antes”, respondeu.
Cavalar afirma que saiu jovem de Wenceslau Braz em busca de experiência, passou por diferentes áreas do Governo e depois retornou ao Norte Pioneiro.
Agora, tenta transformar essa trajetória administrativa em respaldo nas urnas. “Eu não quero chegar lá para simplesmente ocupar uma cadeira. Quero chegar sabendo de onde vim, conhecendo quem estou representando e tendo disposição para trabalhar.”
E conclui: “Sou jovem, mas não sou inexperiente. Sou do interior, mas conheço os caminhos da gestão pública.”