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“Norte Pioneiro poderá contar com meu trabalho em Brasília”, diz Marcelo Rangel em entrevista à Folha

Ex-prefeito de Ponta Grossa e deputado estadual sustenta candidatura federal em resultados de suas gestões, defende maior participação dos municípios nos recursos da União e diz que pequenos municípios precisam ganhar voz no Congresso

Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
24/09/2026 às 14h53
“Norte Pioneiro poderá contar com meu trabalho em Brasília”, diz Marcelo Rangel em entrevista à Folha
“Nosso propósito em Brasília é a defesa incondicional do Estado do Paraná, independente de alinhamento político do futuro presidente do Brasil”, afirma Rangel. Foto: Divulgação

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

Depois de comandar Ponta Grossa por oito anos e chegar ao terceiro mandato na Assembleia Legislativa do Paraná, Marcelo Rangel (PSD) tenta agora dar um novo passo em sua trajetória política. Candidato a deputado federal nas eleições de 2026, ele apresenta a experiência acumulada no Executivo e no Legislativo como principal credencial para buscar uma cadeira em Brasília.

Em entrevista à Folha Extra, Rangel colocou educação, industrialização e habitação entre os principais resultados de seus dois mandatos como prefeito de Ponta Grossa. Mais do que reivindicar o legado administrativo, porém, o candidato procura ampliar o alcance do discurso e sustenta que experiências de desenvolvimento adotadas em grandes centros podem servir de referência, respeitadas as particularidades, também para pequenos e médios municípios.

Na educação, Rangel afirma que sua gestão implantou o ensino em tempo integral na rede municipal, acompanhado de reformas, ampliações e construção de escolas, além da capacitação de profissionais. Segundo ele, mais de 32 mil crianças eram atendidas, com oferta de até quatro refeições diárias.

“A educação transforma um país e, na nossa gestão na Prefeitura de Ponta Grossa, preparamos nossas crianças para o futuro”, afirma.

CIDADES DO INTERIOR

O desenvolvimento econômico aparece como outro eixo da candidatura. Rangel atribui à política de atração de indústrias adotada durante sua passagem pela prefeitura parte da expansão da atividade econômica de Ponta Grossa, com geração de empregos e formação de uma cadeia de empresas prestadoras de serviços.

Para ele, entretanto, reproduzir desenvolvimento no interior não significa simplesmente copiar o modelo de uma grande cidade.

Rangel defende que cada município identifique suas próprias vocações econômicas, seja na agroindústria, indústria de transformação, tecnologia ou serviços. A partir disso, segundo o candidato, políticas estaduais e federais de atração de investimentos poderiam ser utilizadas de maneira mais eficiente para gerar emprego e renda também fora dos grandes polos.

É justamente nesse ponto que ele tenta aproximar sua candidatura de regiões formadas predominantemente por pequenos municípios, como o Norte Pioneiro.

“É preciso criatividade e resiliência para transformar a realidade de uma cidade, seja ela grande ou pequena, e é nisso que o Norte Pioneiro poderá contar com meu trabalho como deputado, se assim a população desejar”, afirma.

POR QUE BRASÍLIA?

Ao justificar a mudança de esfera política, Rangel argumenta que municípios, estados e União dependem uns dos outros para executar políticas estruturantes. Para ele, enquanto a transformação acontece efetivamente nas cidades, decisões tomadas em Brasília interferem diretamente na capacidade de investimento das prefeituras.

Entre as pautas que pretende discutir estão mudanças que reduzam o peso tributário sobre a cadeia produtiva e mecanismos que ampliem a participação dos municípios nos recursos federais, incluindo o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Em entrevistas recentes durante a campanha, ele também tem colocado entre suas propostas a implantação de um porto seco e a discussão de um novo aeroporto para Ponta Grossa, além de defender desburocratização, redução de impostos e qualificação profissional.

A candidatura de Marcelo também carrega inevitavelmente uma questão política: Sandro Alex, seu irmão, deixa a disputa pela Câmara dos Deputados e concorre ao Governo do Paraná. Foto: Divulgação

ENTRE O LEGADO DO IRMÃO E UM PROJETO PRÓPRIO

A candidatura de Marcelo também carrega inevitavelmente uma questão política: Sandro Alex, seu irmão, deixa a disputa pela Câmara dos Deputados e concorre ao Governo do Paraná.

Questionado pela Folha Extra sobre onde termina a continuidade do trabalho de Sandro e começa um projeto próprio, Marcelo rejeita definir sua candidatura simplesmente como uma sucessão familiar.

“Não entendo o meu projeto à Câmara Federal como uma sucessão política, mas sim a disputa por uma cadeira no Congresso que traz maior representatividade a um projeto que vem transformando o Estado e que não pode parar”, afirma.

O discurso de manutenção da representação de Ponta Grossa em Brasília também tem aparecido publicamente na campanha de Rangel. Em entrevista recente, ele afirmou considerar importante preservar a cadeira atualmente ocupada por Sandro Alex na Câmara.

“SER A VOZ DOS PEQUENOS MUNICÍPIOS”

Se Ponta Grossa constitui a principal vitrine de sua trajetória administrativa, Rangel tenta colocar os pequenos municípios no centro do projeto federal.

Segundo ele, falta ao Governo Federal maior compreensão sobre as dificuldades enfrentadas por cidades de menor porte, especialmente aquelas dependentes de transferências para executar investimentos mais robustos.

“A realidade do Brasil são as pequenas cidades e, em especial, do Paraná. O que falta hoje é a sensibilidade do Governo Federal para essa realidade. Nós pretendemos ser a voz dos pequenos municípios, buscando maior participação direta nos recursos federais”, diz.

Rangel sustenta ainda que o Paraná contribui proporcionalmente mais para a União do que recebe de volta, argumento que utiliza para defender maior presença da bancada paranaense nas discussões sobre distribuição de recursos.

Ao ser questionado sobre qual seria a grande causa de um eventual mandato federal, evita restringir a atuação a uma única bandeira. Diz que pretende manter como propósito a melhoria da qualidade de vida dos paranaenses e o desenvolvimento econômico e social do Estado.

E estabelece um princípio para a relação com o Palácio do Planalto: segundo Rangel, sua atuação em Brasília deverá ter como prioridade os interesses paranaenses, independentemente de quem ocupe a Presidência da República.

“Nosso propósito em Brasília é a defesa incondicional do Estado do Paraná, independente de alinhamento político do futuro presidente do Brasil”, conclui.