
Cientistas da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, estimam mais de 450 mil mortes devido ao calor intensificado pelo “Super El Niño” nos próximos nove meses. O relatório, feito pelo Laboratório de Impacto Climático da faculdade, foi publicado neste setembro e inclui o Brasil no top 5 do ranking de países mais afetados com mortes em razão dos efeitos do fenômeno.
Para o estudo, os pesquisadores calcularam a relação entre temperatura e excesso de mortalidade, levando em consideração as diferenças climáticas de cada país, a vulnerabilidade social e a capacidade de se adaptar sob os efeitos do Super El Niño.
Segundo o Laboratório de Impacto Climático, pelo menos 451 mil pessoas devem morrer de setembro deste ano até junho próximo ano. As causas das mortes se somam aos impactos de secas, incêndios florestais e inundações esperados em função das altas temperaturas e da alteração nos padrões de chuvas.
“Há muito tempo, conseguimos prever os impactos das temperaturas nas colheitas, e agora podemos prever o impacto no pior cenário possível: a morte. O resultado é que agora podemos estimar que 451 mil pessoas podem morrer nos próximos meses devido ao El Niño”, afirmou Michael Greenstone, cofundador do Laboratório de Impacto Climático, na publicação do relatório.
O estudo da universidade informa que as 451 mil mortes são cerca de 65 vezes maiores do que as 6,8 mil pessoas que se acredita terem morrido ou desaparecido devido às recentes inundações repentinas no Nepal.
Nos próximos seis meses, são projetadas 239 mil mortes globais devido aos impactos do calor extremo em razão do Super El Niño. O relatório projeta 66,8 mil mortes adicionais no Sahel (região formada por países da África), o que inclui Nigéria (31,4 mil), seguida por Sudão (17,5 mil), Níger (10 mil) e Chade (8 mil).
No Sudeste Asiático, o calor adicional deverá causar 19.400 mortes nas Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja, e 19,3 mil mortes na Indonésia, além de 15,8 mil óbitos previstos na Índia. Na América do Sul, o país que pode ser mais afetado é o Brasil, com 13,3 mil pessoas mortas.
Fonte: Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago
O Inventário de Adaptação do Laboratório de Impacto Climático aponta que é possível mitigar os impactos dos efeitos de eventos extremos causados pelo El Niño.
Conforme o estudo, há uma base de evidências com propostas de medidas, como: sistemas de alerta precoce de calor e até centros de resfriamento para proteção para trabalhadores ao ar livre.
“Eles (os dados sobre mortalidade) deixam claro que os impactos na mortalidade devido às temperaturas extremas devem ser fundamentais para uma preparação eficaz para o El Niño, juntamente com os extensos esforços já existentes para mitigar os riscos à segurança alimentar”, informou o relatório.
O estudo ainda aborda um planejamento a longo prazo para se proteger do El Niño, o chamado “cartão-postal do nosso futuro”. A pesquisa traz temperaturas que as mudanças climáticas devem atingir daqui a 20 anos e mostra os impactos sem novos investimentos e adaptação.
Fonte original Metrópoles.