
CLIMA E TEMPO - A primavera de 2026 começa com previsão de temperaturas elevadas e volumes de chuva acima da média em grande parte do Paraná, cenário que deve impactar diretamente o Norte Pioneiro e os Campos Gerais. A estação, que se estende até dezembro, será marcada pela influência do fenômeno El Niño, que voltou a atuar sobre o Oceano Pacífico e apresenta sinais de fortalecimento, aumentando a possibilidade de temporais, períodos de calor intenso e mudanças bruscas nas condições do tempo.
De acordo com os principais centros de monitoramento climático, o El Niño já está configurado e possui mais de 90% de probabilidade de permanecer ativo durante a primavera e o verão, podendo alcançar intensidade forte ou até muito forte nos próximos meses. O fenômeno altera a circulação atmosférica sobre a América do Sul e costuma favorecer chuvas mais frequentes e volumosas na Região Sul do Brasil.
A tendência para a estação indica precipitações acima da média histórica em áreas do Sul e do Sudeste do país, além de temperaturas também superiores ao normal. A combinação entre calor e alta umidade favorece a formação de tempestades, acompanhadas de raios, rajadas de vento e episódios de granizo, especialmente durante as tardes e noites.
No Norte Pioneiro e nos Campos Gerais, a influência do El Niño pode resultar em uma primavera mais úmida do que a observada nos últimos anos. Municípios como Jacarezinho, Santo Antônio da Platina, Wenceslau Braz, Ibaiti, Ribeirão do Pinhal, Jaguariaíva, Arapoti, Sengés e região devem registrar maior frequência de frentes frias e sistemas de instabilidade avançando pelo estado. Isso aumenta o risco de acumulados expressivos de chuva em curtos períodos, situação que já tem sido observada em diversas áreas do Sul do país desde o final do inverno.
Além da chuva, o calor também deve chamar atenção. Apesar da passagem de frentes frias ao longo da estação, a tendência climática aponta para temperaturas acima da média em boa parte do Paraná. Ondas de calor não estão descartadas, principalmente entre outubro e novembro, quando o aquecimento atmosférico costuma ser mais intenso.
Os reflexos desse cenário serão sentidos no campo. O Norte Pioneiro e os Campos Gerais concentram importantes áreas produtoras de soja, milho, trigo, feijão, café e pecuária. A maior disponibilidade de água no solo pode favorecer o início do plantio da safra de verão, garantindo melhores condições para a germinação e o desenvolvimento inicial das lavouras.
Por outro lado, o excesso de chuva pode trazer desafios para os produtores. Áreas que ainda realizam colheitas ou preparam o solo para o plantio podem enfrentar dificuldades devido ao encharcamento, redução das janelas de trabalho e aumento da umidade. Esse cenário também favorece o aparecimento de doenças fúngicas em diversas culturas, especialmente no trigo e no feijão, além de elevar os custos com manejo e controle fitossanitário.
Na cafeicultura, atividade tradicional em municípios do Norte Pioneiro, a chuva tende a contribuir para a recuperação da umidade do solo após o período mais seco do inverno. Entretanto, precipitações excessivas durante determinadas fases do desenvolvimento das plantas podem favorecer problemas sanitários e exigir atenção redobrada dos produtores.
As pastagens utilizadas na pecuária também podem se beneficiar da maior disponibilidade hídrica, favorecendo o crescimento da vegetação. Em contrapartida, os períodos de calor intenso previstos para a primavera podem provocar estresse térmico nos animais, principalmente durante os dias mais quentes.
Especialistas apontam que a combinação entre temperaturas elevadas e chuvas frequentes deve ser uma das principais características da estação em 2026. Para o Paraná, especialmente nas regiões do Norte Pioneiro e dos Campos Gerais, a primavera deverá apresentar um comportamento climático mais próximo do padrão clássico associado ao El Niño, com maior ocorrência de temporais, volumes expressivos de precipitação e períodos de calor acima da média histórica.