
Curitiba – A convenção estadual do MDB, marcada para o próximo domingo (2), promete ser um dos momentos mais decisivos da pré-campanha eleitoral no Paraná. Nos bastidores, cresce a expectativa de que o encontro partidário confirme uma mudança significativa no cenário político: o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (MDB), pode abrir mão da disputa pelo Governo do Estado para compor como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Sandro Alex (PSD), nome apoiado pelo governador Ratinho Junior.
Embora Greca continue afirmando publicamente que mantém sua pré-candidatura ao Palácio Iguaçu, as movimentações intensificadas nos últimos dias indicam um avanço nas negociações entre MDB e PSD. Fontes ligadas às articulações apontam que Ratinho Junior voltou a se reunir com o ex-prefeito nesta quinta-feira e reforçou pessoalmente o convite para que ele integre a chapa governista.
A eventual composição representa uma mudança de cenário para Greca. Até o início deste ano, ele figurava entre os principais nomes do PSD cotados para disputar o governo estadual, ao lado do então secretário das Cidades, Guto Silva, e do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi. Com a definição do partido em torno de Sandro Alex, Greca deixou o PSD e se filiou ao MDB, onde passou a construir uma candidatura própria.
Outro personagem importante nas negociações é o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), que também atua para aproximar Greca da aliança. Caso o acordo não seja concretizado, o PSD avalia outras alternativas para a vaga de vice. Entre os nomes cogitados está o da jornalista Cristina Graeml (PSD), hipótese que poderia provocar resistências internas, especialmente pelo histórico recente das eleições municipais de Curitiba.
Caso Rafael Greca mantenha sua candidatura ao Governo do Paraná, o MDB tende a enfrentar uma campanha com poucas alianças partidárias. O PSD já consolidou apoios importantes, reunindo em torno de Sandro Alex partidos como Republicanos, a federação União Progressista (União Brasil e Progressistas), a federação PSDB-Cidadania e, nos bastidores, também trabalha para ampliar o bloco com outras siglas.
Do outro lado do cenário eleitoral, Sergio Moro já conta com o respaldo do Novo e do Podemos, reduzindo ainda mais o espaço para que o MDB construa uma coligação competitiva. A consequência seria menos tempo de propaganda no rádio e na televisão, além de menor estrutura política durante a campanha.
Outro fator que influencia as conversas é a situação do ex-governador e ex-senador Alvaro Dias, que retornou ao MDB neste ano. Embora apareça entre os nomes mais lembrados para disputar uma vaga ao Senado, ele ainda não confirmou oficialmente se participará da eleição.
Nos bastidores, uma possível aliança entre MDB e PSD poderia incluir o apoio à candidatura de Alvaro Dias ao Senado. Entretanto, esse movimento exigiria um delicado equilíbrio político, já que o Republicanos trabalha para lançar Alexandre Curi como principal nome da coligação para a disputa senatorial, evitando concorrência dentro do próprio grupo.