
O Paraná voltou a ser palco de um dos fenômenos naturais mais destrutivos do planeta. Com o tornado registrado em Reserva, nos Campos Gerais, no fim de junho, o estado chegou à marca de oito tornados confirmados em menos de nove meses, segundo levantamento do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
A sequência de eventos extremos reforça uma realidade que preocupa especialistas: o Paraná está situado em uma das regiões com maior incidência de tornados do mundo, atrás apenas das pradarias centrais dos Estados Unidos.
O caso mais recente ocorreu na comunidade rural de Imbu, em Reserva, onde um tornado classificado como F2 provocou ventos estimados em cerca de 200 km/h. O fenômeno deixou casas destruídas, árvores arrancadas, veículos danificados e dezenas de moradores afetados.
Desde o início de 2026, o Simepar já confirmou quatro tornados no estado. Dois deles ocorreram em janeiro — em Mercedes e na região de São José dos Pinhais e Piraquara —, outro foi registrado em fevereiro, em Foz do Iguaçu, e o mais recente atingiu Reserva.
A sequência começou em setembro de 2025, quando Santa Maria do Oeste foi atingida por um tornado F1, com ventos de aproximadamente 120 km/h. O fenômeno destelhou casas, destruiu lavouras, danificou estufas e deixou moradores mais de 24 horas sem energia elétrica e abastecimento de água.
Pouco mais de um mês depois, em 7 de novembro, o Paraná enfrentou um dos episódios meteorológicos mais severos de sua história recente. Três tornados atravessaram simultaneamente a região central do estado, atingindo 11 municípios.
O mais intenso passou por Rio Bonito do Iguaçu, onde foi classificado como F4. Os ventos chegaram perto de 400 km/h e provocaram um cenário de devastação. Aproximadamente 90% da cidade foi destruída, exigindo um amplo processo de reconstrução.
O mesmo sistema também atingiu municípios como Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Nova Laranjeiras, Porto Barreiro, Laranjeiras do Sul, Virmond, Cantagalo, Candói, Guarapuava e Turvo, com tornados variando entre as categorias F1 e F4.
O balanço foi trágico: sete pessoas morreram — seis em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava —, além de pelo menos 835 feridos.
Segundo a professora e pesquisadora Karin Linete Hornes, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, a localização geográfica do Paraná favorece a formação de tempestades severas.
A combinação entre massas de ar quente vindas do norte, frentes frias e sistemas convectivos formados na região do Paraguai cria condições ideais para o desenvolvimento de tornados, além de vendavais intensos e tempestades de granizo.
No Brasil, o Simepar utiliza a Escala Fujita (F), que classifica os tornados conforme os danos observados nas áreas atingidas. A intensidade é estimada a partir da destruição em construções, árvores, postes e outras estruturas, permitindo calcular a velocidade aproximada dos ventos.
A classificação é dividida em seis categorias:
Desde setembro de 2025, o Paraná teve os seguintes registros confirmados:
Embora a intensidade varie entre os episódios, todos eles reforçam o aumento da ocorrência de tempestades severas no estado e a necessidade de monitoramento constante, já que fenômenos como esses podem se formar rapidamente e provocar destruição em poucos minutos.
Com informações de G1 Paraná.