
Redação - Folha Extra
PARANÁ - O registro cada vez mais frequente de tornados no Paraná tem chamado a atenção de meteorologistas, pesquisadores e da população. Nos últimos anos, o Estado acumulou uma sequência de ocorrências confirmadas por órgãos de monitoramento climático, incluindo eventos de grande intensidade em diferentes regiões. Casos recentes em Reserva, nos Campos Gerais, e em Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul, voltaram a colocar o tema em evidência e levantaram questionamentos sobre os fatores que favorecem a formação desses fenômenos no território paranaense.
O episódio mais recente ocorreu no último domingo (28), quando um tornado atingiu o município de Reserva. Após vistorias em campo, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) classificou o fenômeno como F2 na Escala Fujita, com ventos estimados em aproximadamente 200 km/h. Os técnicos identificaram árvores arrancadas pela raiz, destruição de copas de araucárias e destroços espalhados em diferentes direções, características típicas de tornados.
O Paraná já havia registrado outro evento de grande repercussão em novembro de 2025, quando uma sequência de tornados atingiu 11 municípios. O caso mais severo ocorreu em Rio Bonito do Iguaçu, onde o fenômeno foi reclassificado pelo Simepar como F4 na Escala Fujita, uma das categorias mais intensas já registradas no Estado. O tornado percorreu cerca de 75 quilômetros e provocou destruição em larga escala, sendo considerado pelos especialistas um dos eventos mais significativos das últimas décadas no Paraná.
Outro episódio que permanece na memória dos moradores do Norte Pioneiro ocorreu em São José da Boa Vista em outubro de 2023. O município registrou um tornado que deixou danos significativos e marcou uma das ocorrências mais lembradas da região. Desde então, diferentes cidades paranaenses passaram a registrar fenômenos semelhantes, com confirmações em áreas dos Campos Gerais, Centro-Sul, Região Metropolitana de Curitiba, Norte Pioneiro e Oeste do Estado.

Especialistas explicam que o Paraná está localizado em uma das áreas da América do Sul mais favoráveis à formação de tempestades severas. A combinação entre o ar quente e úmido vindo da Amazônia, frentes frias avançando pelo Sul do Brasil e a atuação de correntes de vento em diferentes altitudes cria um ambiente propício para o desenvolvimento de supercélulas, nuvens de tempestade com forte rotação interna capazes de gerar tornados.
Meteorologistas destacam que o aumento dos registros não significa necessariamente que os tornados passaram a ocorrer apenas recentemente. Um dos fatores apontados é o avanço da tecnologia de monitoramento. Hoje, radares meteorológicos, imagens de satélite de alta resolução, drones e equipes especializadas permitem identificar e confirmar fenômenos que décadas atrás poderiam ser classificados apenas como vendavais ou tempestades severas.
Outro aspecto analisado pelos pesquisadores é a influência das mudanças climáticas sobre eventos extremos. Estudos meteorológicos indicam que o aumento da temperatura média da atmosfera amplia a disponibilidade de calor e umidade, ingredientes fundamentais para a formação de tempestades intensas. Embora ainda não exista consenso científico de que as mudanças climáticas estejam aumentando diretamente o número de tornados, especialistas apontam evidências de que elas favorecem ambientes mais propícios para eventos severos e de maior intensidade.
O histórico recente mostra que o Paraná reúne características meteorológicas que favorecem a ocorrência desses fenômenos. Além dos casos registrados em São José da Boa Vista, Rio Bonito do Iguaçu e Reserva, outros tornados confirmados nos últimos anos atingiram municípios como São José dos Pinhais, Guarapuava, Turvo e cidades do Centro-Sul paranaense. As análises do Simepar indicam que a combinação entre instabilidade atmosférica, encontro de massas de ar e tempestades supercelulares continua sendo o principal fator associado à formação dos tornados observados no Estado.