
Com a chegada da primavera e do verão, além do calor intenso, inicia-se o período de reprodução de diversas espécies da fauna silvestre, especialmente as aves. Durante essa época, é comum que pássaros como pardais, rolinhas e bem-te-vis construam seus ninhos em locais urbanos, como forros, calhas, varandas de casas e apartamentos, além de praças e jardins.
Pedro Chaves de Camargo, médico veterinário do Instituto Água e Terra (IAT), destaca que, ao avistar um filhote de pássaro fora do ninho, é importante observar suas características para saber qual a melhor forma de proceder. Filhotes sem penugem, conhecidos como ninhegos, são muito jovens e não devem ser retirados do ninho. Caso seja possível, é recomendável devolvê-los com cuidado. Filhotes com pouca penugem estão começando a explorar o ambiente e devem ser observados de longe para verificar se os pais estão por perto. Já os filhotes cobertos de penugem estão aprendendo a voar e podem estar no chão, sendo ajudados pelos pais, que geralmente permanecem próximos.
Quando um filhote é encontrado fora do ninho, mas sem ferimentos, o mais indicado é observar a distância, pois os pais provavelmente continuam cuidando dele. Se os pais não aparecerem após algum tempo, o filhote pode ser cuidadosamente colocado de volta ao ninho. No caso de um filhote ferido, deve ser colocado com segurança em uma caixa e o cidadão deve acionar a Secretaria de Meio Ambiente da cidade ou um Centro de Apoio à Fauna Silvestre (CAFS). No Paraná, existem centros especializados em várias cidades, como Curitiba, Londrina, Cascavel, Guarapuava, Maringá e Foz do Iguaçu.
Camargo reforça que o manejo deve ser feito de maneira delicada e rápida para não prejudicar o desenvolvimento futuro do animal. O veterinário também destaca a importância de evitar a intervenção humana prolongada, pois o contato excessivo pode comprometer a soltura e o desenvolvimento das aves. Ele alerta ainda que mexer nos ovos ou retirar o ninho do local é crime ambiental, conforme a lei nº 9.605/98, que trata de crimes ambientais.
Em casos de animais silvestres feridos ou atividades ilegais contra a fauna, é recomendável que a população entre em contato com a Ouvidoria do IAT ou com o Batalhão de Polícia Ambiental Força Verde da Polícia Militar do Paraná. Denúncias também podem ser feitas pelo Disque Denúncia 181, sendo importante fornecer informações detalhadas sobre a localização e o ocorrido para facilitar o atendimento adequado.