
Imunização dos profissionais da Segurança Pública vem sendo discutida, mas ainda depende do cronograma dos governos Federal e Estadual
O novo coronavírus fez mais uma vítima fatal no município de Wenceslau Braz. Desta vez, o investigador da Polícia Civil, Oscar Estevam, morreu devido a complicações relacionadas a doença.
De acordo com informações apuradas pela reportagem, Oscar estava internado em um hospital na cidade de Arapongas onde realizava o tratamento para a doença, mas, na noite deste domingo (11), após complicações e piora em seu estado clínico acabou não resistindo e veio a óbito.
Oscar já estava atuando na delegacia de Polícia brazense há mais de dez anos. Seu corpo foi levado para ser sepultado nesta segunda-feira (12) no cemitério municipal de Salto do Itararé, onde reside seus familiares.
A morte do agente traz a tona uma situação que já vem acontecendo há meses, a contaminação de policiais e demais profissionais de Segurança Pública pela Covid-19. Na semana passada, o Ministério Público de Wenceslau Braz encaminhou ao prefeito Atahyde Ferreira dos Santos, o Taidinho, um documento pedindo que os agentes de segurança do município sejam colocados como público prioritário para receberem a vacina, sendo solicitado ainda que estes profissionais sejam imunizados já com a próxima remessa de vacinas que chegarem ao município.
Em contato com a reportagem da Folha, o prefeito informou que é totalmente favorável a imunização dos agentes de segurança, porém ponderou que é necessário buscar uma forma de que o procedimento seja realizado de maneira legal, uma vez que, segundo Taidinho, o município tem de seguir o cronograma e protocolos de vacinação do Plano Nacional de Imunização.
Enquanto isso, além dos policiais, a segurança nos cinco municípios atendidos pela 2ª Companhia da Polícia Militar segue em sinal de Alerta. Em entrevista com o Tenente Lúcio da Silva Dziuba, a unidade está operando com cerca de 10% do efetivo policial reduzido, visto que agentes testaram positivo para doença, sendo um deles transferido para receber atendimento médico no Hospital Regional de Santo Antônio da Platina.
O policial militar teme que a segurança da população possa ser prejudicada, visto que a Polícia Militar já enfrenta déficit de agentes devido ao longo período sem a realização de concurso e, agora, muitos estão tendo de ser afastados para cumprir isolamento. “Já suspendemos férias e solicitamos o retorno de alguns policiais, mas não é uma coisa que resolve o problema. A solução é vacinar os policiais, pois eles atuam em flagrantes, abordagens, policiamento preventivo, fiscalização de trânsito e demais atividades da PM. Além disso, muitas vezes temos que acompanhar os agentes de Saúde em fiscalizações em estabelecimentos e locais com aglomerações, sendo que os policiais são expostos ao risco da contaminação sem estarem vacinados”, desabafou o militar.
Ainda na delegacia da Polícia Civil, três agentes estariam afastados cumprindo isolamento, enquanto ao menos dois detentos também estariam com a doença. Vale lembrar que o local abriga hoje cerca de 130 presos.