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A crueldade das fichas para consulta

A crueldade das fichas para consulta

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26/06/2014 às 09h07 Atualizada em 26/06/2014 às 12h07

O posto de saúde nem abriu e já tem na fila de espera um número de pessoas três vezes maior que o número de fichas disponíveis. A mãe, desolada, tem que levar a filha febril de volta para a casa sem atendimento médico – assim como todos os outros “preteridos” do limitadíssimo número de consultas disponíveis pelo SUS.

O cenário é verídico, e se repete quase que diariamente em praticamente todos os municípios do Norte Pioneiro, do Paraná e do Brasil.

Esse sistema de distribuição de fichas para o atendimento é cruel e desumano. Pior, muitas vezes é de uma incompetência fatal ou que gera graves conseqüências as vítima. Além disso, desrespeita completa e absolutamente o direito do cidadão brasileiro à saúde pública.

Os desafortunados que precisam do SUS para conseguir atendimento médico têm calafrios apenas de ouvir falar nas famosas fichas. Muitas vezes, para conseguir ser recebido por um médico, o paciente precisa chegar com horas e horas de antecedência no posto de saúde ou hospital.

O primeiro e maior culpado disso é o próprio SUS, obviamente. Com repasses curtos, muitas instituições que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde podem ser comparados a açougues, tamanha “excelência” no tratamento dado a quem chega ali.

Depois, vêm as prefeituras, que têm sim culpa no cartório. Usando a desculpa da falta de verbas, os poderes executivos pouco fazem para mudar este cenário tão desumano. Se cada prefeito e vereador tivesse um filho passando frio e/ou agonizando na fila de espera com certeza algo de concreto seria feito para mudar essa distribuição caótica de fichas.

Por fim aparecem os próprios médicos. Fazendo as prefeituras reféns de suas exigências, muitos profissionais se recusam a, por exemplo, fazer plantão noturno no hospital, indo embora para casa e voltando para o local de trabalho apenas em caso de chamado, ou trabalhar por oito horas diárias de fato fazendo atendimentos e consultas.

Não que todos os médicos tenham essa prática como rotina, mas uma parcela interessante da classe é sim adepta de hábitos que são agressivos aos pacientes, no que diz respeito ao cumprimento dos expedientes. Se alguém é contratado para trabalhar por oito horas por dia, deve o fazer obrigatoriamente, em qualquer profissão ou ambiente.

E assim, de ficha em ficha e de fila em fila, os que mais precisam da atuação do Poder Público continuam a ser humilhados a ter seus direitos mais simples negados. Uma situação que é retratada rotineiramente pelas mídias, cobrada constantemente pelos cidadãos, e ignorada diariamente por aqueles que teriam em suas mãos o poder de tomar solução que ao menos amenizassem o caos da saúde.

Agora, o único culpado dessa situação não citado até o momento – o eleitor – tem a chance de fazer algo: votando consciente em outubro, assim como daqui a dois anos, nas eleições municipais.

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