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“Venci o preconceito e tenho orgulho da minha profissão”, afirma mototaxista

“Venci o preconceito e tenho orgulho da minha profissão”, afirma mototaxista

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14/03/2018 às 17h57 Atualizada em 14/03/2018 às 20h57

Mesmo vivendo em um mundo globalizado e já livre de muitos estigmas do passado, muitas mulheres ainda sofrem com as relações interpessoais no ambiente de trabalho e na sociedade, onde ainda são vítimas de preconceito. A situação se torna ainda mais evidente quando o ambiente de serviço é predominantemente masculino.

Para vencer essa condição é necessário ter força de vontade para superar os desafios impostos pela discriminação e preconceito, lição aprendida e ensinada pela mototaxista Roseli Bonardi, de 43 anos, brazense e mãe de três filhos, decidiu trabalhar em um mototáxi, sendo a única mulher da cidade a ingressar em uma atividade, até então, ocupada apenas por homens.

Ela que residia em um sítio de Wenceslau Braz, resolveu se mudar para cidade para trabalhar como diarista e conseguir uma renda extra. Enfrentando perigos e desafios, aos 33 anos, Rose decidiu ingressar em uma autoescola para tirar sua habilitação.

“Com a separação e três filhos na bagagem eu resolvi que precisava complementar minha renda, ganhar um extra, fora o que eu faturava como diarista. Foi quando conheci a profissão de mototáxi, no início eu trabalhava nos dois serviços, mas com o tempo, a atual profissão se tornou suficiente para manter a família”, relembra Rose.

Há nove anos na profissão, Rose do Mototáxi, como é chamada, passou por situações de risco como atropelamentos e tentativas de assaltos, mas que segundo ela, não são mais contundentes que o fantasma do preconceito.

 

A maior parte do público de Rose são mulheres e crianças. “Mais de 90% da minha clientela é formada por mulheres e crianças, pois a mãe confia em me deixar encarregada de buscar os filhos na escola, fazer serviços de banco e comprar as coisas no mercado, então a gente que é mãe, mulher e dona de casa tem uma relação mais íntima com as mulheres”, relata.

Com relação ao público masculino, que representa a minoria em sua clientela, ela conta que a maioria respeita sua profissão, contudo já foi vítima de situações de assédio. “Já fui assediada várias vezes, mas isso não é exclusivo da minha profissão, infelizmente quem trabalha em loja, banco, também não está imune a esse tipo de situação”, frisa.

 

Questionada se sofreu algum tipo de preconceito de seus colegas de trabalho quando ingressou no serviço, Roseli afirma que não, contudo a sociedade foi quem mais a surpreendeu pelas atitudes de discriminação.

“Ao entrar no mototáxi percebi vários olhares me discriminando, eu dei minha cara a tapa para estar onde estou hoje e graças a Deus eu venci, hoje todos me respeitam, além disso é uma profissão que eu amo, provei que sou uma mulher honesta e mereço estar onde estou”, afirma.

A mototaxista ainda conta que encontrou dificuldade na aceitação das pessoas que, de início, achavam que ela estava no serviço para se relacionar com homens.

“Essa situação me machucou muito, mas hoje em dia eu já não sofro como antigamente, não posso negar que ainda enfrento um ou outro olhar de maldade, porém não me importo mais”, comenta.

Roseli conta sua vida entre lágrimas e sorrisos, mas prioriza o entusiasmo com as histórias marcantes que coleciona em quase uma década de trabalho.

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