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Menina de 5 anos é abusada e morta e revolta termina com várias mortes no Norte Pioneiro

Crime bárbaro aconteceu em Cornélio Procópio em 1963 e terminou com moradores mortos por policiais durante uma revolta; criança virou símbolo de devoção popular e, mais de 60 anos depois, número de vítimas permanece um mistério

Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO - DAVI MARTINS
06/10/2026 às 15h24
Menina de 5 anos é abusada e morta e revolta termina com várias mortes no Norte Pioneiro
Hoje, o túmulo de Creuzinha se transformou em um local de devoção popular. Foto: DIvulgação

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

CORNÉLIO PROCÓPIO - Dezenas de pessoas cercam uma delegacia e exigem que um homem acusado de violentar e matar uma criança seja entregue às mãos da população. Em meio à revolta, a tensão explode: tiros são disparados contra a multidão, moradores caem feridos e outros morrem. O que começou como uma busca por vingança termina em uma chacina que marcaria para sempre a história de uma cidade inteira.

Era 26 de junho de 1963 quando Cornélio Procópio viveu um dos episódios mais violentos de sua história. O caso ficou conhecido como Caso Creuzinha ou Chacina do Cadeião e começou com o assassinato de uma criança de apenas cinco anos de idade: Cleuza Ramos, a Creuzinha.

Creuzinha era uma menina de apenas cinco anos que vivia com a família no bairro Macuco, em Cornélio Procópio. Naquele dia, segundo a versão mais difundida sobre o caso, sua mãe teria saído à procura de trabalho e deixado a menina e o irmão esperando na rodoviária da cidade. Foi nesse intervalo que um andarilho conhecido pelo nome de Sebastião teria se aproximado das crianças. A partir daquele encontro, começava uma tragédia que terminaria com várias mortes.

Sebastião teria se aproximado das crianças sem levantar suspeitas. Pediu que elas o acompanhassem para ajudá-lo a pedir esmolas e, em troca, prometeu dar doces como recompensa. Foi dessa forma que conseguiu atrair Creuzinha. Longe da família, ele violentou a menina e, em seguida, a matou por estrangulamento utilizando um cordão.

O corpo da pequena foi encontrado e Sebastião acabou preso pouco tempo depois. Já na cadeia, ele foi entrevistado por um jornalista de uma rádio da cidade, que levou aos moradores detalhes do crime. Segundo os relatos, sem qualquer ressentimento o acusado contou todos os detalhes sobre a morte da garota. A partir daquela transmissão, a revolta ganhou as ruas. O que até então era um crime brutal contra uma criança tomou proporções ainda maiores e, poucas horas depois, terminaria em um banho de sangue em frente à delegacia.

Tomadas pela revolta, dezenas de pessoas seguiram até a delegacia e passaram a exigir que o acusado fosse entregue à população, disposta a fazer “justiça com as próprias mãos”. Conforme registros da Folha de Londrina, diante do risco de linchamento, o capitão responsável pela segurança teria disfarçado Sebastião de vigia noturno e conseguido retirá-lo da cidade na tentativa de conter o tumulto.

Mas retirar o acusado da delegacia não foi suficiente para conter uma população tomada pela revolta e indignada com a barbárie. Em meio à tensão, tiros começaram a ser disparados diante da delegacia. As circunstâncias que deram início ao tiroteio permanecem cercadas por versões conflitantes, mas o resultado foi uma tragédia: policiais atiraram contra a multidão, deixando moradores mortos e dezenas de feridos.

Até hoje, não existe consenso sobre o tamanho da chacina. Registros, jornais e relatos sobre aquela noite apresentam números diferentes: algumas versões mencionam três ou cinco mortos, enquanto testemunhos preservados ao longo das décadas chegaram a falar em dez e até mais de 30 vítimas. Contudo, os policiais foram condenados pela morte de cinco moradores.

A tragédia também é associada à morte do então deputado estadual Nilson Ribas. Em meio ao caos, registros apontam que o parlamentar tentava conseguir reforço policial de Curitiba para conter a situação quando sofreu um infarto. Ribas não resistiu e morreu naquele mesmo dia. Segundo relatos preservados sobre o episódio, suas últimas palavras teriam sido: “Estão matando meu povo”.

Hoje, mais de seis décadas depois da tragédia, Creuzinha permanece viva na memória de Cornélio Procópio. Seu túmulo se transformou em um local de devoção popular, onde moradores deixam flores, objetos e agradecimentos por graças que atribuem à menina, tratada por muitos como uma “santinha” da cidade. Enquanto sua história atravessa gerações, o Caso Creuzinha segue cercado por perguntas sem resposta, principalmente sobre quantas pessoas morreram naquela tarde marcada pela revolta e pelo sangue.

Cornélio Procópío - PR
Cornélio Procópío - PR
Cornélio Procópio é um município do norte do Paraná, fundado em 15 de fevereiro de 1938. Reconhecido como polo regional em educação, comércio e serviços, possui infraestrutura completa, incluindo hospitais, escolas e universidades. Sua economia é diversificada, destacando-se agricultura, pecuária e pequenas indústrias. A cidade preserva tradições culturais e oferece qualidade de vida, unindo desenvolvimento urbano, progresso econômico, cultura e acolhimento à população da região.
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