Tornado nos Campos Gerais é o décimo do ano no Paraná e El Niño preocupa autoridades

Fenômeno registrado no sábado (8) atingiu Piraí do Sul e deixou estragos também na região de Jaguariaíva; Estado vive sequência de eventos severos desde 2025 e El Nino pode piorar a situação

Por: Marcelo Aguiar Fonte: Redação
10/08/2026 às 15h17
Tornado nos Campos Gerais é o décimo do ano no Paraná e El Niño preocupa autoridades
Foto: Ilustrativa - Reprodução/Redes Sociais.

Redação - Folha Extra

PARANÁ - O Paraná chegou a dez tornados confirmados em 2026 após o fenômeno que atingiu Piraí do Sul, nos Campos Gerais, no último sábado (8). O temporal provocou danos em cerca de 20 residências e deixou aproximadamente 20 pessoas desalojadas. Jaguariaíva, município vizinho, também registrou estragos provocados pelas condições severas do tempo. Equipes da Defesa Civil e do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) estiveram na região para avaliar os danos e analisar as características do fenômeno.

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O tornado de Piraí do Sul foi o décimo confirmado no Paraná neste ano. A intensidade ainda passa por avaliação técnica do Simepar, que utiliza informações de radar meteorológico, registros de campo, imagens e características dos danos para determinar a classificação do fenômeno.

A ocorrência nos Campos Gerais aumenta a atenção sobre uma sequência de tornados que vem atingindo diferentes regiões do Paraná. Entre 28 e 30 de junho, seis tornados foram registrados em apenas três dias. Um deles ocorreu em Reserva, também nos Campos Gerais, e foi classificado como F2, com ventos estimados em aproximadamente 200 km/h. Outros municípios atingidos naquele período foram Nova Cantu, Turvo, Laranjeiras do Sul, Inácio Martins e Cruz Machado.

O cenário de 2026 ocorre menos de um ano depois de um dos episódios mais severos já registrados no Estado. Em novembro de 2025, tornados atingiram Rio Bonito do Iguaçu, Guarapuava e Turvo, provocando mortes, centenas de feridos e destruição de estruturas. O episódio de Rio Bonito do Iguaçu foi classificado pelo Simepar como um dos eventos meteorológicos mais significativos registrados no Paraná nas últimas décadas.

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Apesar da concentração recente, o Paraná não passou a fazer parte de uma nova rota de tornados. O Estado está inserido em uma região da América do Sul que reúne condições atmosféricas favoráveis à formação de tempestades severas. O Sul do Brasil, juntamente com áreas do Paraguai, Argentina e Uruguai, é considerado uma das regiões com maior ocorrência desses fenômenos fora dos Estados Unidos.

A formação de tornados depende de uma combinação de fatores. O encontro entre ar quente e úmido e massas de ar frio pode aumentar a instabilidade atmosférica. Quando essa condição é acompanhada por mudanças significativas na velocidade e na direção dos ventos conforme a altitude, aumenta o chamado cisalhamento do vento, um dos ingredientes necessários para a formação de tempestades organizadas e, em determinadas situações, tornados.

O aumento dos registros também ocorre em um período de expansão da capacidade de monitoramento meteorológico do Paraná. O Simepar conta atualmente com radares, estações meteorológicas, equipamentos de monitoramento de raios e outras ferramentas que permitem identificar e analisar fenômenos severos com maior precisão. Assim, parte do crescimento das ocorrências registradas pode estar relacionada tanto à presença de condições atmosféricas favoráveis quanto à capacidade maior de detecção.

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Outro fator que passou a ser acompanhado pelas autoridades é o retorno do El Niño. O fenômeno foi confirmado no Oceano Pacífico Equatorial em junho e, segundo as projeções do Simepar, deverá ganhar força durante os próximos meses, com influência principalmente entre a primavera e o verão de 2026/2027.

Para o Paraná, episódios de El Niño costumam estar associados a alterações no regime de chuvas e a maior frequência de situações de instabilidade atmosférica. O cenário pode favorecer tempestades com chuva intensa, descargas elétricas, granizo e rajadas fortes de vento. A Defesa Civil também acompanha a possibilidade de aumento de ocorrências relacionadas a vendavais, enxurradas, alagamentos e deslizamentos durante períodos de maior instabilidade.

O El Niño, entretanto, não significa que o Paraná terá necessariamente mais tornados. A formação desses fenômenos depende de condições atmosféricas específicas que precisam ocorrer simultaneamente. O fenômeno climático pode alterar temperatura, umidade e circulação atmosférica, mas não permite estabelecer antecipadamente quantos tornados serão registrados.

A chegada de um novo período de maior instabilidade ocorre, portanto, após uma sequência de eventos que já colocou o Paraná entre as áreas brasileiras com maior número de registros de tornados. O fenômeno observado em Piraí do Sul e os estragos registrados também na região de Jaguariaíva reforçam o acompanhamento das condições meteorológicas nos Campos Gerais e em outras áreas do Estado nos próximos meses.