
Redação - Folha Extra
NORTE PIONEIRO - A madrugada de 17 para 18 de julho de 1975 ficou marcada na história do Norte Pioneiro do Paraná. Naquela noite, uma intensa massa de ar polar provocou a chamada Geada Negra, fenômeno climático que destruiu grande parte dos cafezais da região e atingiu uma das principais atividades econômicas do estado. O frio extremo queimou milhões de pés de café, comprometeu a produção e transformou o cenário agrícola paranaense. Cinquenta anos depois, o panorama é diferente. Berço da cafeicultura paranaense, o Norte Pioneiro voltou a ocupar posição de destaque no setor, com cafés especiais reconhecidos pela qualidade e comercializados em mercados do Brasil, da Europa e da Ásia.
Em 1975, o Paraná era o maior produtor de café do país e respondia por quase metade da produção nacional. A geada registrada em 18 de julho destruiu pelo menos 60% dos cafezais que ocupavam cerca de 1,8 milhão de hectares no estado. O episódio provocou perdas econômicas, acelerou a substituição de lavouras por outras culturas e levou milhares de produtores a abandonarem a atividade.
Apesar do impacto, parte dos cafeicultores permaneceu na atividade e passou a investir em tecnologia, manejo especializado e qualidade dos grãos. Nas décadas seguintes, a produção regional deixou de priorizar volume e passou a focar o mercado de cafés especiais, agregando valor ao produto e fortalecendo a presença da agricultura familiar.
Atualmente, o Norte Pioneiro reúne aproximadamente 4,8 mil cafeicultores, distribuídos em cerca de 17 mil hectares de lavouras, com produção anual próxima de 31 mil toneladas de café. A região possui Indicação Geográfica (IG) para seus cafés e é reconhecida nacionalmente pela produção de grãos de alta qualidade.
Dados do Departamento de Economia Rural (Deral) apontam que o Norte Pioneiro concentra cerca de 69% das plantações de café do Paraná. Municípios como Carlópolis, Pinhalão, Ibaiti, Tomazina e Jacarezinho estão entre os principais polos produtores do estado. Carlópolis, sozinho, responde por aproximadamente um quarto da produção paranaense.
A valorização dos cafés especiais ampliou a presença da produção regional no mercado internacional. Produtores do Norte Pioneiro exportam grãos para países como Japão, Coreia do Sul e Reino Unido, enquanto lotes premiados da região conquistam espaço em concursos nacionais e internacionais de qualidade.