
DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
IBAITI - O que parecia ser apenas mais um domingo comum se transformou em uma das experiências mais marcantes da vida da moradora de Ibaiti, Mayra de Jesus Teixeira Tonche. Sem imaginar que entraria em trabalho de parto, ela acabou dando à luz ao pequeno Rodolpho na garagem de casa, antes mesmo de conseguir chegar ao hospital.
A surpresa foi ainda maior porque, apenas dois dias antes, Mayra havia passado por uma consulta médica e recebeu a informação de que o nascimento do bebê deveria acontecer somente no dia 19 de junho.
"Eu estava tranquila porque tinha ido ao médico na sexta-feira e ele falou que ainda faltava um tempo. Achei que tinha quase duas semanas pela frente", relembrou em entrevista à Folha.
Na manhã do domingo (07), porém, ela começou a sentir contrações. Inicialmente, acreditou que fosse apenas um desconforto passageiro, mas as dores passaram a ficar cada vez mais intensas e frequentes.
Na tentativa de aliviar a situação, Mayra entrou debaixo do chuveiro, mas logo percebeu que algo estava diferente.
"As contrações começaram a apertar cada vez mais. Eu tentei ficar calma porque acreditava que ainda não era a hora, mas elas foram ficando muito fortes", contou.
Quando ela e o marido decidiram seguir para o hospital, tudo já acontecia rápido demais. Com as malas prontas e as crianças acomodadas no carro, a família se preparava para sair quando uma contração mais intensa mudou completamente os planos.
"Eu sentei no banco do carro, mas não consegui ficar ali. A dor veio muito forte. Eu desci e fui para a garagem. Foi quando senti que ele já estava vindo", relatou.
Segundo Mayra, o nascimento aconteceu em poucos minutos. "Eu percebi que a cabeça dele estava aparecendo. Na contração seguinte, ele nasceu. Foi tudo muito rápido. Não deu tempo de pensar em nada."
A mãe conta que ficou em choque diante da situação inesperada. "Minha preocupação era segurar ele para não cair. Depois eu só fiquei olhando, tentando entender o que estava acontecendo. Foi um susto muito grande."
Enquanto Mayra tentava processar o nascimento repentino, o marido, Pablo Rodolpho Teixeira Tonche, vivia seus próprios momentos de tensão.
Além de tentar acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), ele precisava lidar com a situação inesperada e cuidar dos outros dois filhos do casal, que permaneciam no carro.
O momento mais delicado veio logo após o nascimento, quando Pablo percebeu que o recém-nascido estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço.
"Quando olhei para ele, vi que estava ficando roxinho. Naquele momento bateu o desespero. Eu só pensava em salvar meu filho", contou.
Mesmo abalado, o pai conseguiu agir rapidamente e desenrolar o cordão. "Foi tudo muito rápido. Eu estava em choque, mas consegui tirar o cordão. Quando ele começou a reagir, senti um alívio enorme."
Enquanto a família enfrentava os minutos mais difíceis, vizinhos perceberam a movimentação e correram para ajudar. Uma moradora levou toalhas e auxiliou até a chegada do atendimento médico.
Após receberem os primeiros cuidados, mãe e filho foram encaminhados para avaliação médica. Apesar do susto, ambos passam bem.
Agora, alguns dias depois do nascimento inesperado, Mayra ainda se emociona ao lembrar da situação.
"Quando paro para pensar em tudo que aconteceu, ainda parece um sonho. Foi assustador no começo, mas graças a Deus terminou tudo bem."
Para a família, o domingo que começou com a expectativa de mais uma semana de espera terminou com a chegada antecipada de Rodolpho, um nascimento cercado por surpresa, tensão e, principalmente, alívio.