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O Amor Entra em Cena em Siqueira Campos

Existem noites em que uma cidade parece respirar diferente.

Por: DAVI MARTINS Fonte: Por Flávio Mello - Colunista da Folha
30/05/2026 às 13h19
O Amor Entra em Cena em Siqueira Campos
Foto: Maria Azevedo

Por Flávio Mello

Secretário Municipal de Cultura
@flaviomelloescritor

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As ruas seguem as mesmas, os bancos da praça continuam silenciosos, os carros passam apressados pela avenida, mas alguma coisa muda no ar. Talvez seja a arte chegando devagarinho. Talvez seja o teatro preparando sua antiga magia de transformar pessoas comuns em espectadores de si mesmos. 

No próximo dia 26 de maio, a Casa da Cultura Neuri Camargo da Silva, em Siqueira Campos, será palco desse encontro raro entre literatura, emoção e sensibilidade com a apresentação do espetáculo “Amores Difíceis”, da Súbita Companhia de Teatro. 

E talvez o mais bonito nisso tudo seja justamente a pergunta que o espetáculo carrega: afinal, o que é o amor? 

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Poucas perguntas são tão antigas e tão impossíveis. 

O amor já foi escrito por poetas, cantado em serenatas, perdido em cartas antigas e derramado em lágrimas silenciosas. E agora ele retorna ao palco através de uma montagem inspirada em gigantes da literatura mundial, como Italo Calvino, Anton Tchekhov e Federico García Lorca. 

Mas “Amores Difíceis” não parece interessado em oferecer respostas fáceis. Pelo contrário. O espetáculo mergulha nas contradições humanas, nos encontros mal resolvidos, nos afetos interrompidos, nos desejos, nas ausências e nas pequenas ruínas emocionais que todos carregamos escondidas atrás da rotina. 

Dirigida por Maíra Lour, a peça reúne em cena Pablito Kucarz, Patrícia Cipriano, Dafne Viola e Zeca Sales, artistas que se revezam em múltiplos personagens, emoções e conflitos, construindo uma encenação contemporânea marcada pelo corpo, pelo movimento e pela intensidade emocional. 

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Há algo profundamente necessário no retorno dessa obra aos palcos após tantos anos. 

Depois da pandemia, das distâncias emocionais, das relações atravessadas pela velocidade do mundo moderno, falar de amor tornou-se quase um ato de resistência. E o espetáculo compreende isso com delicadeza. Não fala apenas do amor romântico, mas também das fragilidades humanas, da solidão, da entrega e do medo que existe em todo coração que insiste em sentir. 

Talvez seja justamente por isso que o teatro continue tão importante. 

Porque enquanto o mundo se acostuma à pressa, o palco ainda nos obriga a olhar. A sentir. A permanecer. 

E quando uma cidade do interior recebe um espetáculo dessa dimensão, algo precioso acontece. O teatro deixa de ser apenas entretenimento e se transforma em encontro. Encontro entre artistas e público. Entre silêncio e reflexão. Entre aquilo que somos e aquilo que escondemos. 

A Súbita Companhia de Teatro, fundada em Curitiba em 2007, construiu ao longo dos anos uma trajetória respeitada no cenário cultural brasileiro, com pesquisas voltadas ao corpo, ao movimento e à dramaturgia contemporânea. “Amores Difíceis”, inclusive, já percorreu festivais importantes, recebeu premiações e foi indicado ao Troféu Gralha Azul, principal reconhecimento do teatro paranaense. 

Agora, chega até nós. 

E talvez essa seja a grande beleza da cultura: permitir que grandes obras atravessem estradas, cidades e distâncias para lembrar que a arte não pertence apenas aos grandes centros. Ela pertence a qualquer lugar onde ainda exista gente disposta a sentir. 

As apresentações acontecem no dia 26 de maio, às 15h e às 19h, na Casa da Cultura Neuri Camargo da Silva. A entrada é gratuita e a classificação é de 14 anos. 

Mais do que assistir a uma peça, será uma oportunidade de viver uma experiência. 

Porque algumas histórias não terminam quando as cortinas se fecham. 

Elas continuam dentro da gente. 

FLÁVIO MELLO
FLÁVIO MELLO
Flávio Mello é escritor, músico e gestor cultural paulistano, com obra marcada por lirismo urbano, crítica social e escuta sensível. Após um acidente na juventude, encontrou na literatura um caminho de reconstrução e expressão profunda. Estabelecido em Siqueira Campos (PR), transformou a cena cultural local por meio de projetos, festivais e políticas públicas, sendo amplamente reconhecido por seu impacto regional. Sua escrita transita entre o realismo brutal e a poesia do cotidiano, abordando temas como infância, fé, masculinidade e resistência. É membro de academias literárias e segue criando, também na música, com um projeto de doom metal filosófico.
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