
Redação - Folha Extra
JACAREZINHO - A Santa Casa de Misericórdia de Jacarezinho enfrenta uma nova crise administrativa que tem gerado preocupação entre funcionários, profissionais da saúde, pacientes e autoridades do Norte Pioneiro. O impasse envolve o Instituto Brasil-Amazônia de Serviços Especializados em Saúde (INBASES), responsável pela gestão compartilhada da unidade hospitalar desde fevereiro deste ano, e a direção da entidade mantenedora do hospital.
O episódio ganhou novos desdobramentos após o instituto encaminhar uma notificação extrajudicial informando que o contrato de gestão firmado entre as partes não possuiria validade jurídica. No documento, o INBASES também comunica a destituição do gestor que atuava à frente da administração compartilhada da unidade. Com isso, a Santa Casa voltou a assumir integralmente a condução do hospital enquanto a situação é analisada.
A crise ocorre em meio a uma série de reclamações registradas nos últimos meses. Funcionários e profissionais da saúde relataram dificuldades relacionadas à falta de medicamentos, insumos hospitalares e materiais necessários para o atendimento dos pacientes. Também foram registrados questionamentos sobre condições de trabalho e pagamentos, aumentando o clima de instabilidade dentro da instituição.
Além dos problemas administrativos, uma notificação emitida por parte do corpo clínico da Santa Casa elevou a preocupação sobre a continuidade dos atendimentos. O documento alertava para o risco de paralisação de médicos e apontava possíveis impactos na assistência prestada à população. Segundo informações divulgadas, o ofício foi encaminhado a órgãos como Ministério Público, Conselho Regional de Medicina e autoridades da área da saúde.
Em resposta, o INBASES divulgou nota oficial afirmando que a Santa Casa continua funcionando normalmente e que os atendimentos em pronto-socorro, internações, cirurgias, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e demais serviços seguem mantidos. O instituto informou ainda que possui uma nova escala médica preparada para garantir a continuidade da assistência e declarou que adotará as medidas necessárias para evitar prejuízos aos pacientes.
O instituto também contestou as acusações apresentadas por parte dos médicos, afirmando que as alegações não foram acompanhadas de documentos que comprovem as irregularidades apontadas. Na nota, a entidade destacou que o documento que menciona a paralisação condiciona a suspensão do movimento à saída do INBASES da gestão da Santa Casa.
A atual crise ocorre poucos meses após a implantação do modelo de gestão compartilhada. Em fevereiro, a contratação do INBASES foi anunciada como uma alternativa para reorganizar financeiramente o hospital e ampliar a capacidade de atendimento da instituição, considerada referência para diversos municípios do Norte Pioneiro. Na ocasião, autoridades municipais e lideranças políticas apresentaram a medida como uma solução para os problemas enfrentados pela Santa Casa nos últimos anos.
A unidade hospitalar já vinha enfrentando dificuldades anteriores à chegada da nova gestão. Em 2025, a maternidade da Santa Casa chegou a interromper os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em razão de impasses financeiros envolvendo repasses para custeio dos serviços. A situação obrigou gestantes da região a buscarem atendimento em municípios vizinhos.
Recentemente, uma nova diretoria foi eleita para comandar a associação mantenedora da Santa Casa durante o biênio 2026-2028. Entre os objetivos anunciados pela nova gestão estava a continuidade do modelo de administração compartilhada e a recuperação financeira da instituição.
Enquanto o impasse administrativo permanece sem definição, funcionários aguardam esclarecimentos sobre o futuro da gestão, médicos acompanham as negociações relacionadas às condições de trabalho e pacientes seguem atentos aos desdobramentos envolvendo uma das principais unidades hospitalares do Norte Pioneiro, responsável pelo atendimento de moradores de Jacarezinho e de diversos municípios da região.