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Demissões, cortes e incerteza: nova tarifa de Trump preocupa empresas dos Campos Gerais

Há menos de um ano, empresas da região cortaram centenas de postos de trabalho após tarifas impostas pelos Estados Unidos. Agora, uma nova taxação de 25% volta a acender o sinal de alerta

Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
02/06/2026 às 11h09
Demissões, cortes e incerteza: nova tarifa de Trump preocupa empresas dos Campos Gerais
Uma das empresas mais afetadas na região foi a BrasPine. Foto: Divulgação

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em julho do ano passado uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o impacto parecia distante para muitos moradores dos Campos Gerais. Poucas semanas depois, porém, a realidade bateu à porta de cidades como Jaguariaíva, Telêmaco Borba, Ventania e Arapoti. Empresas colocaram funcionários em férias coletivas, depois anunciaram cortes e produtores passaram a temer pelo futuro de suas atividades. O resultado: mais de 550 pessoas desempregadas.

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Agora, menos de um ano depois, uma nova medida foi anunciada pelo governo norte-americano, e voltou a acender o sinal de alerta na região. Trump propôs uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, reacendendo o temor de que a região enfrente uma nova onda de impactos econômicos.

O medo não é apenas uma previsão, ele tem precedente. Há menos de um ano, o primeiro tarifaço de Trump desencadeou uma onda de demissões, férias coletivas e incertezas nos Campos Gerais. Agora, a nova tarifa ameaça novamente setores estratégicos da região, especialmente a cadeia da madeira e dos produtos florestais, responsável por milhares de empregos e diretamente dependente do mercado norte-americano.

Uma das empresas mais afetadas na região foi a BrasPine, gigante do setor madeireiro com unidades em Jaguariaíva e Telêmaco Borba. Dependente do mercado norte-americano para escoar grande parte da produção, a empresa foi uma das primeiras a sentir o impacto das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

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Em julho do ano passado, cerca de 700 trabalhadores da unidade de Jaguariaíva foram colocados em férias coletivas. Pouco tempo depois, a medida também atingiu aproximadamente 800 funcionários da unidade de Telêmaco Borba. Somadas, as duas fábricas empregavam cerca de 2,5 mil pessoas.

O cenário continuou se agravando nos meses seguintes. Em setembro, mais de 200 trabalhadores foram demitidos em Jaguariaíva. Já neste ano, uma nova onda de desligamentos atingiu a unidade de Telêmaco Borba, com aproximadamente 250 funcionários perdendo seus empregos. Somando os cortes registrados desde o início da crise, centenas de famílias tiveram sua renda diretamente afetada.

Além das demissões, empresas recorreram a medidas como redução de jornadas, suspensão temporária de contratos e reorganização das operações para tentar sobreviver ao novo cenário internacional.

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O impacto também atingiu outras indústrias da região. A Sudati, empresa do ramo de compensados e MDF, anunciou o desligamento de cerca de 100 trabalhadores em suas unidades de Ventania e Telêmaco Borba, atribuindo a decisão às dificuldades enfrentadas no mercado externo.

Mas os reflexos da guerra comercial ultrapassaram os portões das fábricas. Em Arapoti, considerada a maior produtora de mel do Brasil, a preocupação tomou conta dos produtores logo após o anúncio das tarifas. O município produz mais de 900 toneladas de mel por ano e tem cerca de 280 famílias que dependem diretamente da atividade.

Na época, uma das empresas responsáveis pela exportação do produto para os Estados Unidos suspendeu as compras logo após o anúncio do tarifaço. A decisão gerou apreensão entre os apicultores, que viram seu principal mercado consumidor ameaçado praticamente da noite para o dia.

A preocupação era simples: sem compradores, a produção poderia ficar estocada e comprometer a renda de centenas de famílias.

Embora parte dos impactos tenha sido absorvida ao longo dos últimos meses, o novo anúncio de Trump gera receio de que a região volte a enfrentar dificuldades semelhantes.

Especialistas apontam que empresas exportadoras costumam reagir rapidamente a mudanças tarifárias, principalmente quando dependem fortemente de um único mercado consumidor. O aumento dos custos pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar queda nas vendas e forçar cortes de produção.

Nos Campos Gerais, onde setores como madeira, papel, móveis, derivados florestais e agronegócio possuem forte ligação com o mercado internacional, qualquer mudança nas regras comerciais dos Estados Unidos costuma gerar reflexos diretos na economia local.