
DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
WENCESLAU BRAZ - Histórias contadas pelos avós, relatos de aparições misteriosas, acontecimentos que desafiam explicações e memórias guardadas que provocam pavor e medo há décadas. Foi com base em relatos de moradores antigos de Wenceslau Braz, que o escritor brasense Iago Koskoski escreveu Meia-Noite em Wenceslau, obra que será lançada no próximo dia 11 de junho, na Biblioteca Municipal Maria de Lourdes Alves. Assista a entrevista abaixo.
A obra reúne 20 contos inspirados em histórias reais relatadas por moradores da cidade e do interior do município. Mais do que um livro de terror, o projeto busca preservar uma parte importante da memória cultural local, registrando em palavras narrativas que, até então, eram contadas de geração em geração.
Durante entrevista concedida ao estúdio da Folha, Koskoski contou que a inspiração para o livro surgiu a partir de sua própria ligação com a cidade e com as histórias que ouviu ao longo da vida.
“Quando a gente é criança, escuta histórias dos pais, dos avós, dos tios. Isso foi um combustível para mim e para a minha literatura. Crescer aqui, ouvindo essas histórias, foi essencial para construir o livro”, afirmou.
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Natural de Wenceslau Braz, o autor destacou que o projeto permitiu registrar uma herança cultural que poderia se perder com o passar do tempo. Segundo ele, entre 10 e 12 moradores participaram diretamente da construção da obra, compartilhando experiências vividas ou histórias transmitidas por familiares.
“Esse livro eu não escrevi sozinho. Ele só existe porque essas pessoas tiraram um tempo para contar suas histórias. É um trabalho coletivo”, destacou.
Entre os relatos presentes na obra está o conto “As Galinhas”, baseado em uma história contada por moradoras da zona rural. Na narrativa, um casal percebe um alvoroço no galinheiro durante a noite e, ao sair para verificar o que havia acontecido, descobre que todas as galinhas desapareceram sem deixar vestígios. O mistério nunca foi explicado.
Outro destaque é o conto “Cusa Ruim”, que, segundo o escritor, foi um dos que mais lhe causaram impacto durante o processo de pesquisa. A história surgiu a partir de um relato familiar envolvendo acontecimentos considerados sobrenaturais. Embora tenha evitado revelar detalhes para não comprometer a experiência dos leitores, Koskoski afirmou que foi uma das histórias que mais o marcaram.
“Nele, eu conto sobre a história de uma tia minha. Ela havia discutido com a mãe, porque queria sair com um rapaz, e a mãe dela não deixava. Ela bateu o pé e disse que sairia com ele, senão fugiria da casa, nem que fosse com o Cusa Ruim. Mas o final eu vou deixar para as pessoas lerem. É macabro”, contou.
Para o autor, o diferencial de Meia-Noite em Wenceslau está justamente na simplicidade dos relatos. “Muita gente pensa que é apenas um livro de terror, mas é mais do que isso. É a essência de um povo. Quem cresceu no Paraná provavelmente já ouviu uma tia, um avô ou um vizinho contar alguma história de assombração. Essas histórias fazem parte da nossa cultura”, explicou.
Apesar de o lançamento ainda não ter acontecido, o sucesso da iniciativa já motivou novos planos. De acordo com o escritor, após a divulgação do projeto, outras pessoas passaram a procurá-lo para compartilhar relatos, o que abriu caminho para um possível segundo volume. “Depois que o livro ficou pronto, mais gente apareceu querendo contar histórias. Já existe a ideia de um volume dois”, revelou.
Koskoski também destacou a participação do secretário municipal de Cultura, Marcos de Brito, que apresentou a proposta do projeto e incentivou a criação da obra. Segundo ele, a experiência foi uma das mais marcantes de seus cinco anos de carreira literária.
“É algo que fica para o futuro. Daqui muitos anos, as pessoas poderão abrir esse livro e conhecer as histórias que faziam parte da vida dos moradores de Wenceslau Braz. Isso é o mais importante para mim”, afirmou.
O lançamento de Meia-Noite em Wenceslau acontece no dia 11 de junho, às 19h30, na Biblioteca Municipal Maria de Lourdes Alves. O evento contará com sessão de autógrafos e conversa com os leitores sobre os bastidores da pesquisa e da produção do livro.