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Crianças eram acordadas de madrugada e submetidas a castigos e violência psicológica, aponta investigação contra Casa Lar de Ibaiti

Relatos reunidos pelo Ministério Público apontam rotina de punições, humilhações, privação de sono e uso irregular de medicamentos dentro da instituição de acolhimento no Norte Pioneiro

Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
27/05/2026 às 17h43
Crianças eram acordadas de madrugada e submetidas a castigos e violência psicológica, aponta investigação contra Casa Lar de Ibaiti
Crianças eram obrigadas a cumprir castigo em um “quarto escuro”. Foto: IA - Folha Extra

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

As investigações do Ministério Público do Paraná (MPPR) contra uma Casa Lar de Ibaiti revelaram detalhes considerados alarmantes pelas autoridades sobre a rotina enfrentada por crianças e adolescentes acolhidos na instituição. Conforme a ação civil pública apresentada pela Promotoria, os menores eram submetidos a castigos, violência psicológica, humilhações e até privação de sono dentro da unidade.

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A investigação resultou na interdição provisória da Casa Lar e no afastamento imediato das responsáveis pela administração da entidade.

Segundo o MPPR, os relatos começaram a surgir após denúncias feitas por acolhidos e ex-funcionários da instituição. Durante a apuração, a Promotoria reuniu informações que apontam um “grave e sistemático quadro de violações de direitos humanos” praticado dentro do local.

Entre as acusações mais graves está a existência de punições consideradas abusivas contra as crianças e adolescentes. Conforme o Ministério Público, os acolhidos eram submetidos a humilhações públicas, ameaças e isolamento em um chamado “quarto escuro”, utilizado como forma de castigo.

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As denúncias ainda apontam restrições ao uso de brinquedos e alimentação oferecida em horários considerados inadequados para o desenvolvimento infantil.

Outro trecho da investigação que chamou atenção envolve a privação de sono. Segundo o MPPR, crianças eram acordadas compulsoriamente durante a madrugada como forma de disciplina.

Além disso, a Promotoria também apura o uso irregular de medicamentos psicotrópicos dentro da instituição. Conforme as investigações, doses de remédios teriam sido aumentadas sem prescrição médica ou acompanhamento profissional, supostamente para facilitar o controle comportamental dos acolhidos diante da sobrecarga das cuidadoras.

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De acordo com o Ministério Público, a presidente e fundadora da Casa Lar e a coordenadora pedagógica da instituição — mãe e filha — tinham conhecimento das práticas denunciadas. A investigação aponta ainda que ambas monitoravam a rotina da unidade por meio de câmeras de segurança e participavam da aplicação dos métodos disciplinares.

Diante da gravidade do caso, a Vara da Infância e Juventude determinou a interdição provisória da entidade, a suspensão imediata das atividades de acolhimento e o afastamento das responsáveis da direção da instituição.

A decisão também proíbe qualquer contato das investigadas com os acolhidos e funcionários da unidade.

Além disso, foi determinada a transferência imediata das crianças e adolescentes para outros serviços de acolhimento familiar ou institucional, enquanto o caso segue sendo investigado pelas autoridades.