
A morte do adolescente Vítor Gabriel da Silva, de 16 anos, em Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro do Paraná, transformou-se em política pública regional. A Câmara Municipal de Jacarezinho aprovou o Projeto de Lei nº 2/2026, de autoria do vereador Serginho Marques, que institui a “Lei Vítor Gabriel da Silva” e cria a Campanha Municipal de Conscientização e Combate ao Consumo de Cigarros Eletrônicos no ambiente escolar.
A iniciativa surge após o caso que abalou o Norte Pioneiro e acendeu um alerta urgente sobre os riscos do uso de vape entre adolescentes. Vítor faleceu após sofrer graves complicações pulmonares associadas ao uso de cigarro eletrônico. O jovem, estudante do Colégio Estadual Tiradentes, convivia com bronquite e apresentou agravamento repentino no quadro respiratório, sendo internado e posteriormente transferido para a UTI do Hospital Regional. Mesmo com atendimento intensivo, não resistiu.
A tragédia ganhou repercussão ainda maior na região após a morte do padrasto do adolescente, o pastor João Gonçalves Leite, que sofreu um ataque cardíaco ao receber a notícia do estado crítico do enteado. O duplo luto mobilizou comunidades de Santo Antônio da Platina e de todo o Norte Pioneiro do Paraná, reforçando o debate sobre os perigos do cigarro eletrônico.
Com a aprovação do projeto em Jacarezinho, o município passa a integrar o grupo de cidades do Norte Pioneiro que adotam medidas formais de enfrentamento ao avanço do vape nas escolas. A lei prevê palestras, oficinas, rodas de conversa, debates e ações pedagógicas voltadas à conscientização de estudantes sobre os riscos do uso de dispositivos eletrônicos para fumar.
O texto também reforça que a comercialização de cigarros eletrônicos é proibida no Brasil, conforme regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que veda importação, propaganda e venda desses produtos.
A campanha deverá ocorrer anualmente, preferencialmente no mês de maio, em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco, mas poderá contar com ações permanentes ao longo do ano letivo. Ao vincular o nome do adolescente à legislação municipal, o projeto transforma um episódio trágico do Norte Pioneiro em instrumento de prevenção e conscientização coletiva.
Segundo o vereador Serginho Marques, a aprovação representa um avanço na defesa da saúde pública regional. “Precisamos enfrentar o uso do cigarro eletrônico com informação e prevenção. O que aconteceu no Norte Pioneiro não pode se repetir”, afirmou.
Com a tramitação concluída na Câmara, o projeto segue agora para sanção do Executivo. Caso seja sancionada, a nova lei reforçará a política de combate ao vape nas escolas de Jacarezinho e ampliará o debate sobre os riscos do cigarro eletrônico entre jovens do Norte Pioneiro do Paraná.