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Especialista explica porque PitBull pode ser dócil para os tutores, mas um perigo para sociedade

Adestrador de Ibaiti afirma que instintos de caça, hierarquia e proteção são os principais fatores por trás de ataques, que muitas vezes transformam momentos tranquilos em tragédias

Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
05/09/2025 às 15h13
Especialista explica porque PitBull pode ser dócil para os tutores, mas um perigo para sociedade
Imagem Ilustrativa. Foto: Reprodução/Internet

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

Nos últimos dias, ataques de PitBulls voltaram a ser assunto no Norte Pioneiro. Em Wenceslau Braz e em cidades vizinhas, episódios recentes envolvendo a raça deixaram moradores assustados e levantaram novamente o debate sobre a segurança e o manejo desses animais. Enquanto para alguns tutores os PitBulls são companheiros dóceis e fiéis dentro de casa, para a sociedade em geral eles acabam representando um risco, principalmente quando não recebem a educação adequada.

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Para entender melhor sobre a situação, a reportagem da Folha conversou com o Adestrador Alvaro Israel Santos, da cidade de Ibaiti, que explicou que o comportamento dos cães deve ser entendido pela etologia, ciência que estuda o comportamento animal. “O erro mais comum é humanizar o cachorro. As pessoas acreditam que ele sente gratidão ou age por maldade, mas na verdade ele responde a estímulos do ambiente e aos seus instintos”, afirma.

Segundo Alvaro, a tendência de humanizar os cães é alimentada por uma era em que filmes, vídeos e outros conteúdos retratam os animais como se tivessem sentimentos e pensamentos iguais aos dos humanos.

Um exemplo citado por ele é o filme “Quatro Vidas de um Cachorro”, que apresenta a ideia de um cão reencarnando e vivendo diferentes vidas, guardando lembranças das anteriores, algo que, na prática, não condiz com a realidade do comportamento animal. “O cachorro não tem essa estrutura de lembrança, memória, como nós. O cão vive no presente. Ele não está apegado ao passado, muito menos ao futuro”, salientou Alvaro.

Segundo o especialista, o PitBull possui impulsos de caça mais acentuados do que outras raças, o que explica a gravidade de alguns ataques. “Não adianta bater ou castigar. Isso só reforça o instinto. O tutor precisa redirecionar essa energia para exercícios e brincadeiras, além de estabelecer liderança de forma clara”, orienta.

Alvaro também ressalta a questão da hierarquia. Para o cão, a família passa a ser sua matilha, e, se não houver uma liderança clara por parte do tutor, ele tende a assumir esse papel. É nesse contexto que muitos ataques a vizinhos ou pessoas que passam na rua acontecem. “O animal interpreta a presença de estranhos como uma ameaça e reage instintivamente para proteger aqueles que considera parte do seu grupo”, explicou.

Manejo e prevenção

Alvaro lembra que qualquer cão pode morder, mas no caso do PitBull o potencial de dano é maior por causa da força e resistência. Por isso, a prevenção é essencial. “Ninguém subiria em um cavalo selvagem sem treino. Ter um PitBull sem adestramento também é arriscado. Com manejo correto, ele pode ser um animal incrível e obediente”, afirma.

Emergência

Em situações de ataque, a orientação do adestrador é evitar agressões, que só aumentam o estímulo do animal. “A medida mais eficaz é usar um cinto, corda ou até uma camiseta para aplicar o estrangulamento temporário, apenas até que ele solte a vítima. Não é para machucar, mas para controlar a emergência”, explica.

Enquanto casos de ataques continuam sendo registrados na região, o debate segue dividido entre medo e defesa da raça. Para Alvaro, a solução passa pela responsabilidade dos donos. “O PitBull pode ser tanto uma ameaça quanto um grande companheiro. Tudo depende do manejo”, conclui.

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