
DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
O episódio em que o empresário Marco Aurélio Moura destruiu parte do cartório de Ribeirão Claro, Norte Pioneiro do Paraná, com uma pá carregadeira, na noite de 22 de março, ultrapassou as fronteiras da cidade e ganhou repercussão em rede nacional. No último domingo (31), o caso foi exibido no Fantástico, da Rede Globo, onde foi retratado como um ato extremo de revolta individual contra a demora em um processo de divórcio, porém a reportagem da Folha teve acesso a novas informações que expõem o outro lado da história.
Ao focar apenas no gesto do empresário, a reportagem deixou de lado um capítulo fundamental: a insatisfação coletiva da população com a conduta do cartorário Marcius Koenemann Franco. De acordo com informações obtidas com exclusividade pela Folha Extra, desde o episódio da destruição, mais de 1.179 moradores assinaram um abaixo-assinado pedindo a remoção do cartorário do cargo, alegando abusos, descaso e atrasos injustificados.
O empresário Marco Aurélio, dono de um armazém de construção, aguardava há quatro anos a conclusão da partilha de bens de seu divórcio. Segundo seu advogado, Murilo Pedrão, o processo ficou parado durante mais de um ano no cartório sob a alegação de documentos faltantes. A explicação não convenceu o empresário, que, revoltado, tomou a decisão drástica de atacar o prédio do cartório.
A defesa sustenta que a atitude reflete um acúmulo de frustrações compartilhadas por muitos moradores que se sentem reféns do serviço cartorial da cidade.
Após o caso ganhar as manchetes, a população de Ribeirão Claro organizou manifestações independentes do empresário, como uma carreata e um abaixo-assinado que já soma mais de mil assinaturas.
(Fora Barbudo! gritam moradores de Ribeirão Claro em carreata na última semana)
Em entrevista exclusiva à Folha Extra, o advogado Ricardo David Chammas Cassar, responsável pela iniciativa, relatou que os problemas vão além de atrasos burocráticos.
“Ele não tem educação alguma com os moradores que precisam de algum serviço do cartório. Algumas pessoas saem chorando de lá, devido ao tratamento dele. Além disso, ele não cumpre prazos e cobra diligências que não são obrigatórias pela Justiça”, disse.
Um dos relatos mais graves veio de um morador que quase não conseguiu sepultar um familiar. Segundo ele, o cartorário exigiu que fosse buscada em São Paulo a assinatura do médico responsável pelo atestado de óbito antes de liberar o enterro. “Felizmente consegui a liberação com a prefeitura”, contou.
De acordo com Ricardo, sempre que falta algum documento, os cidadãos são obrigados a pagar uma taxa de R$ 20,90 para prosseguir com o processo. O problema, diz ele, é que o cartorário estaria exigindo documentos não previstos em lei, ampliando custos e atrasando procedimentos simples.
“Moradores relatam solicitações que ficam paradas por semanas, até meses, sem explicações claras. Falta organização, falta transparência e sobra autoritarismo. Uma mudança na administração é crucial para garantir a qualidade e eficiência que Ribeirão Claro merece”, destacou o advogado no documento.

O abaixo-assinado continuará aberto por 30 dias, período em que mais relatos e documentos comprobatórios estão sendo reunidos. O material será encaminhado à Corregedoria de Justiça, com o pedido formal de remoção do atual cartorário e nomeação de um substituto.
Procurado pela reportagem da Folha Extra, Marcius Koenemann Franco preferiu não dar declaração.