
Redação - Viaje Paraná
PARANÁ - No alto de uma colina em Rio Negro, na Região Metropolitana de Curitiba, está um dos pontos turísticos mais enigmáticos do Paraná: o chamado “Cemitério dos Anjos”. Com apenas 19,25 m², o local é considerado o menor cemitério do mundo, reconhecimento registrado pelo Guinness Book Brasil em 1996. A singela capela azul cercada por um portão de ferro guarda histórias, crenças e tradições que atravessam gerações.
De longe, a capela pode passar despercebida, já que sua arquitetura se confunde com outras da zona rural da cidade. Mas basta uma rápida conversa com moradores ou turismólogos da região para que o visitante entenda que ali repousa um importante símbolo da cultura local. No minúsculo terreno, algumas lápides revelam um passado marcado pela dor, mas também pelo respeito às crianças que faleceram prematuramente ou logo após o nascimento.
A turismóloga da Prefeitura de Rio Negro, Larissa Grein Becker, explica que o número de corpos sepultados é incerto. Alguns relatos falam em oito, outros em 20 e há quem diga que seriam 40. O que se sabe é que a Capelinha, como era chamada, passou a ser conhecida como Cemitério dos Anjos, nome que se espalhou entre moradores e visitantes.
Apesar de estar em área privada, o dono do terreno mantém o espaço aberto ao público. Cruzamentos em metal branco, um altar com imagens de Nossa Senhora Aparecida e um cantinho para velas tornam o lugar acolhedor. Todos os anos, no dia 12 de outubro, Dia das Crianças e da Padroeira do Brasil, moradores se reúnem para rezar e celebrar a vida. A tradição foi iniciada por Leontina Weber, que cuidou da capela por décadas após fazer uma promessa. Desde sua morte, em 2015, o filho Cesar Weber continua a missão.

Para chegar até o local, o acesso é feito pela estrada da Campina dos Andrades, onde está situada a pequena capela erguida em 1929. A Prefeitura organiza visitas guiadas e oferece contato para agendamento de passeios turísticos.
O lugar também é cercado por histórias misteriosas. Antigos moradores relatam que o santuário foi construído para proteger a comunidade de aparições, conhecidas como “visagens”. Uma delas seria o “Bradador”, entidade que assustava quem passava pelo local à noite. A crença popular diz que as assombrações cessaram após a construção da capela.
Outro motivo para a existência do cemitério seria uma antiga tradição católica: quando bebês morriam antes do batismo, não podiam ser sepultados em cemitérios tradicionais. Assim, nasceu o espaço reservado exclusivamente a essas crianças, em um gesto de acolhimento espiritual.
A história do menor cemitério do mundo é, ao mesmo tempo, sensível, curiosa e repleta de significados. Para os moradores, é motivo de orgulho. Para os turistas, um convite a conhecer um dos cantos mais peculiares e cheios de memória do interior do Paraná.