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Psicóloga alerta sobre os impactos da exposição infantil a conteúdos que provocam a sexualização

Com a campanha do Maio Laranja ativa, influência de conteúdos impróprios se torna um dos temas debatidos sobre a segurança das crianças e adolescentes

Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
13/05/2025 às 09h07
Psicóloga alerta sobre os impactos da exposição infantil a conteúdos que provocam a sexualização
Psicóloga Hellen Martins, entrevistada pela reportagem da Folha. Foto: Arquivo Pessoal

Durante o mês de maio, todo o Brasil se une em torno do Maio Laranja, uma campanha nacional de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Embora denunciar casos de violência e exploração seja um dos papéis mais importantes do movimento, o significado de combater estes crimes vai desde a conscientização da população sobre a importância da prevenção e a proteção integral das crianças. Um dos pontos discutidos com este tema, é a sexualização precoce de crianças, um fator que está presente dia após dia na infância de muitos, através de músicas, danças ou até mesmo de momentos vividos dentro da própria casa.

“Um elogio como ‘olha que charme’, ‘parece uma mocinha’ ou ‘vai namorar desde cedo’ pode parecer inofensivo, mas comunica à criança que ela está sendo observada e valorizada pelo seu apelo físico ou por comportamentos adultos”, afirma Hellen Martins.

Conforme explica a psicóloga Hellen Martins, em uma entrevista exclusiva com a reportagem da Folha, a infância é uma fase marcada pelo brincar, pela curiosidade saudável e pela construção progressiva da identidade. No entanto, segundo ela, nós vivemos em uma sociedade que, muitas das vezes de forma sutil e silenciosa, tem apressado esse processo, trazendo à tona chamada “puberdade precoce”, que não corresponde à sua fase de desenvolvimento.

“A sexualização infantil é um fenômeno preocupante e crescente. Seja por meio da mídia, das redes sociais, da moda ou até mesmo das atitudes dos adultos à sua volta, muitas crianças passam por isso hoje em dia”, afirma a psicóloga.

Para ela, o ambiente exerce um papel fundamental na forma como a criança percebe o mundo e a si mesma. “Aquilo que ela vê, ouve e vivencia serve de referência para a construção de valores, crenças e comportamentos”, disse. Segundo ela, quando a sociedade acaba erotizando a infância, direta ou indiretamente, acaba não apenas distorcendo a noção de infância, mas também tornando normal algo que não é, ou pelo menos não deveria ser comum nesta fase.

“Seja ao vestir crianças com roupas que imitam o estilo adulto, ao naturalizar letras de músicas com teor sexual, ou ao incentivar danças com movimentos sensuais, a sociedade está tornando normal algo que não é apropriado para essa fase da vida”, enfatizou Hellen.

Segundo a especialista, as redes sociais têm um papel central neste cenário. “Plataformas como TikTok, Instagram e YouTube apresentam uma infinidade de conteúdos que viralizam rapidamente, muitas vezes com danças sensuais e letras com duplo sentido ou linguagem explicitamente vulgar”, diz. Portanto, com o acesso livre a estes conteúdos, mesmo sem compreender plenamente o que os gestos ou as letras dizem, as crianças reproduzem esses comportamentos.

“E é justamente aí que mora o perigo: o comportamento é naturalizado. O que antes seria motivo de estranhamento, passa a ser comum, aceitável e até incentivado. A banalização do erotismo na infância é grave, pois retira da criança o direito de ser apenas criança. E o que torna tudo ainda mais desafiador é que muitos desses comportamentos são reproduzidos de maneira inconsciente tanto por adultos quanto por crianças”, enfatizou Hellen.

Portanto, conforme explica a psicóloga, muitas das vezes os adultos nem percebem que estão reforçando essa erotização precoce. “Um elogio como ‘olha que charme’, ‘parece uma mocinha’ ou ‘vai namorar desde cedo’ pode parecer inofensivo, mas comunica à criança que ela está sendo observada e valorizada pelo seu apelo físico ou por comportamentos adultos”, disse. Segundo Hellen, isso pode afetar diretamente sua autoestima, seu senso de valor e até mesmo sua segurança emocional e física, tornando-a mais vulnerável a situações de abuso ou exploração.

Além disso, há outros aspectos considerados “normais” que podem forçar essa erotização precoce na infância. A exposição constante a estímulos sensuais pode ativar precocemente a liberação de certos hormônios, antecipando o interesse por namoro, beijos e comportamentos próprios da adolescência ou da vida adulta. “Filmes, séries, jogos e tudo mais que a criança vivencia, podem estimular esses hormônios sem que os pais percebam”, disse.

Contudo, em pleno Maio Laranja, é de extrema importância que os pais também deem atenção para estes sinais e previnam que seus filhos tenham acesso a conteúdos que deveriam ser expostos a eles apenas anos mais tarde, no tempo certo do amadurecimento. Evitar a erotização precoce é uma forma de proteção, não apenas contra abusos, mas também contra os impactos emocionais, sociais e fisiológicos que esse tipo de exposição pode causar.

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