
Ensino em universidade pública e privada, o tema é delicado e exige uma análise minuciosa de diversos aspectos, como a clientela atendida e a origem de cada aluno.
A preparação é um passo importante para o ingresso em qualquer curso, mas no curso de Direito, o qual será abordado nesta série preparada pela Folha Extra, a conversa é bem mais séria.
Na primeira etapa deste leque de possibilidades e deficiências apresentadas no conhecimento daqueles que almejam o “canudo”, a série Pública X Privada, trata nesta edição do tema “Vestibular – Oportunidade ou Exclusão?”.
Os sistemas de seleção para a tão sonhada universidade são completamente distintos quando setor público e privado se contrastam.
Em entrevista com diretores das três maiores faculdades particulares de Direito da região, foi possível constatar que o processo de seleção é quase que pro forma, que ocorre por mera formalidade, visto que a maioria dos alunos acaba sendo captada pelas instituições.
A avaliação consiste em uma redação, na qual o aluno irá demonstrar sua capacidade de escrita e argumentação sobre determinado assunto, o material é avaliado e, se nele for comprovado que o aluno tem os requisitos mínimos para ingressar no curso, ele é aprovado.
Maria das Graças Zurlo, diretora do grupo Uniesp de Santo Antônio da Platina, conta que existem sim casos de reprovação, mesmo com um vestibular menos “exigente”.
“Se o aluno não apresenta as condições mínimas para elaborar um texto, organizar as ideias, fica inviável recebê-lo, porém, a oportunidade é dada novamente se necessário, porque por mais que a prova seletiva seja importante, nem sempre ela define o aluno. Temos casos de superação como de um aluno que era servente de pedreiro e hoje é advogado, temos esse olhar humano para cada caso”, afirma a diretora.
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Nos grupos Fati/Fajar de Jaguariaíva e Universidade Brasil de Ibaiti, os vestibulares também consistem em uma redação e tem agendamentos flexíveis.
Mas quando a ponteira volta ao ensino superior público, a realidade é outra. Com um vestibular concorrido e vagas limitadas, a UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná) causa frustração em quase 95% de seus vestibulandos, sendo o número de vagas anual 70 e os inscritos beirando os 1270 (número para a turma de 2018).
O diretor do campus do curso, em Santo Antônio da Platina, Luiz Fernando Kazmierczak explica que o critério seletivo mais rigoroso é resultado da grande procura. “A seleção é bem forte, porque como ela é publica e única na região, os alunos acabam prestando vestibular aqui primeiro. Dos inscritos para os vestibulares da UENP, um terço são para o curso de direito. O fato de ser bastante procurado automaticamente promove uma seleção mais consistente”.
A UENP comemora em 2018 50 anos da primeira turma de Direito e atualmente tem 350 alunos no curso situado no campus de Jacarezinho.
Mas em meio a seleções não tão consistentes e uma clientela heterogênea, a questão é: Qual o perfil deste acadêmico que está chegando no Ensino Superior? A busca por esta resposta estará na próxima edição, continuando a série Pública X Privada.