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Conheça a história da bombeiro brazense que encarou caminhão com dinamite pegando fogo

Silvia contou a Folha um pouco da sua trajetória de encarar o perigo para salvar vidas que a fez querida pela população de Wenceslau Braz

Por: Marcelo Aguiar Fonte: Redação
08/02/2023 às 18h25 Atualizada em 08/02/2023 às 18h28
Conheça a história da bombeiro brazense que encarou caminhão com dinamite pegando fogo
Foto: Divulgação.

Pegou fogo ou aconteceu um acidente, chama a Silvia! A bombeiro civil é uma das figuras mais conhecidas da cidade de Wenceslau Braz, no Norte Pioneiro, pela sua dedicação e coragem para salvar vidas seja enfrentando incêndios ou atendendo acidentes. A Folha conversou com a brazense que contou um pouco da sua história nessa profissão.

Aos 32 anos, Silvia conta que atua na área de salvamento desde o ano de 2015. “Eu trabalhava em uma fábrica de costura, mas sempre quis me envolver nesse meio de salvamento, bombeiros e policial. Então eu fiz um curso de Bombeiro Civil e daí fui me aperfeiçoando em outros cursos. Com isso, as coisas foram acontecendo e eu comecei a trabalhar na Defesa Civil de Wenceslau Braz e também trabalhei dois anos em Siqueira Campos”, comentou.

Apesar de ser conhecida principalmente pelas suas atuações de combate a incêndios, Silva explicou que o que mais a motiva é socorrer vidas. “O que sempre me chamou a atenção foi a área de primeiros socorros e salvar vidas, o incêndio acabou sendo um complemento disso”, disse.

Sobre a questão emocional, ela conta que não é algo fácil de lidar, mas que a profissão exige concentração para conseguir resultados. “Na hora da adrenalina a gente deixa o emocional de lado, pois você tem que estar preparado para resolver o problema. Não existe meio termo, você tem que colocar sua segurança em primeiro lugar, analisar a situação e buscar uma forma de resolver o problema. Se você foi chamado, é porque a pessoa confia em você, então você vai para resolver”, pontuou.

Para ter esse preparo profissional e emocional, Silva explicou que o treinamento é essencial. “Cada situação é um caso e a gente vai adquirindo uma experiência de já se preparar antes de chegar ao local da ocorrência. Tem situações que mexem com a gente como ser humano e você fica com o peito pesado, mas tem que esquecer o emocional e se concentrar em prestar o atendimento. No curso você já passa por situações que preparam seu psicológico e já vê na prática se aguenta ou não encarar essa profissão”, comentou.

Mesmo com todo preparo e experiência, Silva comenta que há situações difíceis de lidar. “Já teve uma situação onde o ambiente e a roupa estava tão quente que cheguei a ajoelhar e pedir para Deus forças para continuar. Você chegar em um acidente e ver as pessoas presas gritando por ajuda também é complicado. Me marcou muito um acidente onde havia uma criança e outro onde quando cheguei vi que as vítimas eram meus amigos. Nesse momento você age como se nada tivesse acontecendo e faz seu trabalho, mas por dentro você está destruído. Já teve vezes de chegar em casa e chorar, mas só depois de tudo resolvido”, contou.

Uma das situações que mais marcaram a carreira de Silvia foi quando um caminhão de dinamite pegou fogo na PR092 em Calógeras. O incidente teve repercussão nacional e, mesmo sendo seu dia de folga, ela estava lá.

“Não sei explicar, é um instinto de querer ir e ajudar. No dia do caminhão de dinamite eu estava de folga comendo um lanche quando vi mensagens nos grupos de uma ocorrência grave em Calógeras. Um tempo depois fiquei sabendo que era um caminhão de dinamite que havia pegado fogo”, explica. “A reação foi subir na Defesa Civil e acabei indo para lá ajudar. Resfriamos a carga até a chegada das equipes do Bombeiro Militar e acompanhamos toda a situação. O momento mais complicado foi quando entramos no caminhão para resfriar a carga e as equipes realizar o transbordo para outro veículo. Não tem como você não sentir medo, mas tem que manter a concentração, saber o que estava fazendo e se manter no controle. Todos deram seu 100% naquele dia e tudo deu certo”, completou.

Atualmente, Silvia é concursada da prefeitura municipal de Wenceslau Braz como motorista da Saúde e segue na sua missão pessoal de salvar vidas. Quando necessário, ainda hoje ela assume a boleia do caminhão pipa do município no combate a incêndios residenciais ou ambientais. “A minha mãe e a minha esposa ficam com o coração apertado, mas não tem o que faça, essa é minha vida e minha missão, não sei nem dizer o porquê, mas quando alguém precisa e me chama ou fico sabendo quando vejo já estou lá”, finalizou.

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