
A antiga e tradicional viação Transfronteira, muito querida pela população, especialmente na região do Norte Pioneiro, há alguns anos chegou ao fim de suas atividades, deixando somente saudades.
Pensando no quão importante a viação foi na vida da população regional, a Folha entrou em contato com um dos fundadores da empresa, para contar um pouco mais sobre a história da empresa.
José Antônio Corrêa, de 62 anos, é neto de Antônio Correa, um dos fundadores da Transfronteira.
José conta que seu avô trabalhava com o antigo “carroção” e trazia mercadorias da região para a estação e levava mercadorias para os comércios da região, principalmente Santana do Itararé, Itaporanga e São José da Boa Vista.
Em 1963, Antônio já tinha começado a trabalhar com direção de caminhões, quando adquiriu sua primeira jardineira e começou a empresa de ônibus São José, fazendo linha regular de Wenceslau Braz para Itararé e fretamento de ônibus para excursão de romaria para Aparecida do Norte.
Em 1978 houve uma divisão da empresa São José, onde foi formado a atual Turismo São José e a Viação Transfronteira.
Já em 1984, foram compradas da empresa Princesa do Norte os direitos das linhas de Wenceslau Braz a Itaporanga, Wenceslau Braz a Itaí e Itaporanga a Itaí
A partir de 1988, foi revogada a lei da dedicação exclusiva de atividade e, a partir desta data, a Transfronteira começou a operar o fretamento de ônibus para excursões e estudantes de faculdades da região, além das linhas convencionais.
Após anos, a empresa passou para José e seus dois irmãos, Tarcísio Corrêa e Rosemeiry Corrêa Ferreira. Os três tocaram a empresa por longos anos, duramente altos e baixos. “Empresa de ônibus é um serviço que não pode parar, sábado, domingo e feriados principalmente, é muito cansativo. Mas estávamos sempre ali atendendo a população da região, podia fazer sol ou chuva”, disse José.
Funcionando desde 1963, há alguns anos atrás a empresa encerrou suas atividades, devido à situação econômica atual. “O fim se deu por vários fatores, como aumento de custos, principalmente tributos, a obrigatoriedade de se manter um guichê de vendas em cada rodoviária, os aluguéis altos em todas as cidades para transitar nos municípios. Além da diminuição da população da zona rural, que eram a base dos usuários, por isso se tornou economicamente inviável”, explica José.
A viação, que era muito querida pela população, deixou saudades em toda comunidade, principiante do Norte Pioneiro e região. “O bom era o contato com muitas pessoas, gente muito boa, de diversas regiões, a gente acaba aprendendo muito com cada um deles. Esse contato foi o que mais deixou saudade em nós proprietários. Além disso, lamentamos muito a ida dos nossos funcionários, que eram como nossa família também. Hoje em dia o que restou foram as boas lembranças”, comenta José.
Uma ex-funcionária comenta sobre como a empresa se fez presentes em diversos momentos especiais e a gratidão para com os proprietários. “Trabalhei nesta empresa com a família Corrêa, a qual tenho maior consideração. Tive o privilégio de trabalhar com vários motoristas que guardo na lembrança, todos me tratavam com maior carinho, alguns já se foram, mas jamais esquecerei João Branco, Antônio Teixeira, Carlinhos, Jorge Moreira, Dito e Vasco. Jamais esquecerei da Rose, minha grande amiga e meu amigo Valdacir Corrêa (Cile)”, comenta Sirlande Nicolini.
Após o fim da viação, os ônibus formam vendidos e os proprietários seguiram outras carreiras. José aproveitou a oportunidade e agradeceu a todos que ainda lembram da Transfronteira com tanto carinho. “Fora muitos anos levando e buscando passageiros de toda a região. Hoje ficou somente a saudade, mas todo o tempo de trabalho foi muito gratificante. Agradeço a todos os funcionários que passaram pela empresa e também aos passageiros, que até hoje lembram com carinho da nossa empresa. Desejo sucesso a todos”, finaliza.