'Corpos pelo chão e pessoas agonizando': o relato de uma sobrevivente do acidente em Taguaí

'Corpos pelo chão e pessoas agonizando': o relato de uma sobrevivente do acidente em Taguaí

Por: Da Redação
26/11/2020 às 17h19 Atualizada em 26/11/2020 às 20h19
'Corpos pelo chão e pessoas agonizando': o relato de uma sobrevivente do acidente em Taguaí

A revisora de costura Rosana Aparecida Santos, de 47 anos, é uma das sobreviventes do acidente entre um ônibus e um caminhão na manhã desta quarta (25) no km 172 da Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, próximo ao município paulista de Taguaí. Sentada em uma poltrona do meio, ao lado oposto do motorista, ela sentiu o veículo balançar após uma tentativa de ultrapassagem e se levantou. Só deu tempo de ver a colisão.

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"Foi uma ultrapassagem proibida por parte do motorista, ele estava muito encostado no caminhão da frente e mesmo assim, sem visibilidade, ultrapassou. Quando senti o balanço do ônibus, levantei do banco, percebi que o motorista do caminhão tentou tirar pro lado, mas não conseguiu, não deu tempo", disse ela a ÉPOCA. "O ônibus ficou completamente destruído no lado do motorista, e o caminhão foi parar a uns 50 metros, num barranco".

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Rosana caiu de imediato e sofreu o impacto de um banco sobre o seu joelho. Consciente e sem sangramentos, ela pegou sua bolsa, levantou-se e saiu pela parte traseira, que estava aberta. No meio do caminho, ela presenciou vários corpos de colegas de trabalho e membros despedaçados.

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"Foi muito rápido. Não senti nada batendo em mim. Peguei minha bolsa, levantei e saí pelos fundos, que estava aberto. Tive que passar por cima de várias pessoas mortas e outras agonizando", relatou.

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Segundo ela, ao menos outras duas pessoas saíram conscientes - um homem e uma mulher - embora não tenha reconhecido. Nervosa, ela ligou para o filho, que mora na cidade vizinha de Itaberá e pediu ajuda. Após a chegada do Corpo de Bombeiros, ela foi encaminhada ao hospital Santa Casa de Itaí, onde segue em observação e em estado estável. Ela só apresentou ferimentos e escoriações na cabeça e no joelho.

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Até o momento, as autoridades confirmaram 41 mortes, sendo 37 delas no local do acidente. Outras quatro morreram depois. A polícia ainda apura quantas pessoas estavam no veículo. A empresa de ônibus forneceu uma lista com 52 passageiros, mas não se sabe ao certo se todos embarcaram.

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O ônibus fazia o trajeto entre Itaí e Taguaí para levar funcionários da fábrica Stattus Jeans. O veículo saiu do local de partida por volta de 5h40. O acidente foi registrado pouco antes das 7h.

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Rosana trabalha na empresa há cerca de três anos. Desde então, o mesmo ônibus realiza o transporte dos funcionários de segunda a sexta no mesmo horário, para pegarem no serviço das 7h às 17h. Segundo ela, o motorista tem histórico de dirigir em alta velocidade e já havia feito ultrapassagens em outras ocasiões.

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"Vivia isso constantemente. Ele corria muito, várias vezes ultrapassava outros veículos. E o ônibus também não está em bom estado, falta manutenção", afirmou. "Esse é um dia que não vou esquecer nunca. Não tinha amizade com todos, mas eram colegas de trabalho. É muita tristeza. Espero que agora a empresa tome providência em relação à segurança a partir de agora".

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Via: Época Globo.