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Para-atleta de Pinhalão corre para se classificar para Mundial

Para-atleta de Pinhalão corre para se classificar para Mundial

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21/06/2013 às 13h13 Atualizada em 21/06/2013 às 16h13

para-atleta

Luciano Murilo de Almeida Anacleto é o atual vice campeão brasileiro e também sonha com uma vaga nas Paraolimpíadas do Rio de Janeiro em 2016.

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Luciano Murilo de Almeida Anacleto, de 33 anos, é pizzaiolo e estudante de educação física e seria um comum morador de Pinhalão se não fosse por um detalhe: ele é o atual vice-campeão brasileiro de para-atletismo nos 5 mil metros, categoria T 13 (para pessoas que têm entre 15 a 20% da visão).

E esse fator faz da vida de Luciano bem incomum, no comparativo com a grande maioria das pessoas. Como para-atleta, ele carrega dois desafios que o acompanharam diariamente. O primeiro é vencer os obstáculos naturais de alguém que tem apenas 20% da visão. O segundo é superar os preconceitos e a falta de incentivo para vencer numa carreira onde, infelizmente, pouca gente dá valor – e esse parece ser bem pior que o primeiro.

Os problemas que fizeram de Luciano um para-atleta começaram há 15 anos, quando ele foi diagnosticado com toxoplasmose. De imediato, Luciano perdeu completamente a visão de uma das vistas, porém o outro olho seguiu imune a doença.

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No entanto, em 2011 o vírus novamente atacou com força, e deixou Luciano cego. Com muita dedicação ao tratamento, a vista direita voltou a enxergar, porém com apenas 20% da capacidade.

Nessa mesma época Luciano, que já participava de provas de corrida, decidiu ingressar no para-atletismo. Aí, a máxima que diz que há males que vem para bem prevaleceu. Em pouco tempo o agora para-atleta mostrou potencial e chamou a atenção de olheiros, sendo convidado a fazer parte de uma equipe de Brasília – onde atua até hoje.

O boom da carreira de Luciano no para-atletismo, porém, aconteceu em 2013, após bons resultados em 2012. Mas de fato no ano passado que o morador de Pinhalão provou ser um talento de nível nacional, e literalmente correndo para progredir para o patamar de competições internacionais.

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“Mesmo com todas as dificuldades graças a Deus eu consegui ser vice campeão brasileiro nos 5 mil metros categoria T 13, para quem tem de 15 a 20% da visão. Isso foi resultado de muito empenho, muito treino e de acreditar no meu potencial”, afirma, orgulhoso do título e da segunda colocação no ranking brasileiro da categoria.

DESAFIOS

Porém, como já foi dito, as dificuldades não são poucas. A deficiência de Luciano parece ser mínima perto das dificuldades encontrada por ele na busca por patrocínios e parcerias. Justiça seja feita, seis empresários aderiram a causa do para-atleta e contribuem, como podem, com Luciano.

Infelizmente é pouco. Para quem precisa de pares de tênis próprios para a prática esportiva e uma alimentação diferenciada, para poder fazer o básico do básico, os recursos conseguidos por Luciano ainda são insuficientes, e a falta de um patrocinador máster evidencia a escassez da cultura tanto de poder público quanto privado em incentivar atletas e para-atletas.

“O vice campeonato brasileiro me rendeu o Bolsa Atleta, mas até agora não recebi e não existe uma previsão certa de quando vão começar a pagar, talvez só no meio do ano”, reclama.

Assim, Luciano precisa conciliar os estudos na faculdade de Educação Física, a profissão de pizzaiolo, sempre na parte da noite, e os treinos, sempre na parte da manhã. “A faculdade é uma vez por semana em Ibaiti e o resto das atividades faço em casa. Mas todo dia às 17h vou pra pizzaria onde trabalho e fico até a meia noite. No dia seguinte às 8h já estou treinando”.

Treinos esses que ocorrem nas ruas de Pinhalão, estradas pavimentadas e até estradas rurais. “Faço treinos de resistência e treinos de velocidade. Tenho meu treinador, que é de Cambará, e quando dá vou para Jacarezinho, de carona com o ônibus da saúde, treinar na pista de atletismo da faculdade”, conta.

OBJETIVOS

Mas se os desafios são grandes, o mesmo se pode dizer das metas de Luciano. Prestes a disputar as provas classificatórias para o Circuito Brasileiro, que acontecem no próximo final de semana em Uberlândia (MG), o para-atleta sonha mais alto.

“Quero voltar de lá com medalha de ouro. Mas meu foco é conseguir me classificar para o Mundial de para-atletismo, em agosto, e depois para a Paraolimpíadas do Rio de Janeiro”.

Para isso, o morador de Pinhalão se dedica aos treinos para diminuir seus tempos no percurso dos 5 mil metros. “Atualmente tenho 18m04seg, mas estou treinando muito forte para chegar em 17m30seg já de imediato”, revela Luciano, porém ressaltando que para garantir vaga no Mundial precisaria ter um tempo na casa dos 16m. “É difícil sim, mas não é impossível, e eu vou batalhar para conseguir mais esse feito”.

E não é preciso nem enxergar tão bem para perceber que os passos de Luciano têm tudo para cruzar linhas de chegadas cada vez maiores.

Por LUCAS ALEIXO

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