Falta um dia para o início da Copa do Mundo, mas a movimentação em torno do evento em grande parte do Norte Pioneiro e Campos Gerais é praticamente a mesma de um ano atrás. Ou seja: quase nada.
Com exceção a alguns raros pontos enfeitados, não se nota vestígios de que a região, localizada há menos de 500 quilômetros de duas sedes da Copa (Curitiba e São Paulo), está prestes a presenciar o maior evento de futebol do planeta.
Pudera, já que os municípios pequenos foram os que pagaram a conta para a realização da Copa, tendo seus orçamentos já pequenos sendo achatados para proporcionar investimentos bilionários em cidades grandes – já retentoras dos grandes recursos.
E a insatisfação popular com essas injustiças parece ter superado, pelo menos na região citada, a paixão pelo futebol. Os enfeites no comércio são tímidos, e os produtos relacionados à Copa ou a Seleção Brasileira não apresentam maior variedade.
É fácil dizer que, se não fosse pela excessiva propaganda e divulgação na TV e internet, a Copa do Mundo passaria despercebida pela região, sendo notícia e assunto apenas nestes dois meios.
De Jaguariaíva até Jacarezinho, seguindo pela PR-092 e depois BR-153, apenas um único posto de combustível às margens das duas rodovias apresenta algum tipo de decoração – em Arapoti, onde o mascote do estabelecimento está vestido com uma camiseta amarela.
O próprio comércio em geral na beira das rodovias cita que não há nenhum tipo de diferença entre esta época do ano ou os demais períodos, e que a Copa não tem causado efeito nenhum na região.
“Não se fala da Copa do Mundo por aqui. Não é assunto de praticamente ninguém. Pode ser que nas cidades onde acontecerão os jogos sim, mas por aqui na nossa região não existe movimentação diferente nem nada. Está tudo igual sempre é”, afirma o empresário Sebastião Ramos, proprietário de um empreendimento na margem da PR-092 em Wenceslau Braz.
Mesma opinião tem Ademir dos Santos Carvalho, dono de um comércio de frente com a BR-153, no perímetro urbano de Santo Antônio da Platina. “Olha, sinceramente, nunca vi uma Copa tão desanimada como essa, nem parece que é no Brasil. O povo não está empolgado. É tanta sujeira, tanta corrupção envolvida, que a Seleção e os jogadores, que não têm nada a ver com isso, vão acabar pagando o pato. Claro que quem for no estádio vai torcer, mas pra grande massa essa Copa no Brasil e nada é a mesma coisa”.
AMBULANTES
Na mesma rota, a reportagem tentou localizar ambulantes comercializando produtos relacionados à Copa do Mundo, e o resultado também é fraco. Assim como o único posto de combustível decorado, a única ambulante encontrada também está em Arapoti.
Marlene Oliveira Costa trabalha há anos com o comércio ambulante de artigos esportivos, e no momento está focada praticamente apenas em objetos relacionados ao evento, porém afirma que a procura está abaixo do esperado.
“Comecei sábado, mas até agora está bem devagar. Claro que tem gente comprando, mas ainda não é o que a gente esperava. A esperança é que no dia da estréia do Brasil aí a procura cresça bastante”, afirma.
Apesar disso, Marlene também relata o temor em muitos dos materiais acabaram “encalhando”, dependendo do desempenho da Seleção. “O problema é se que se perder o primeiro jogo, pronto, adeus vendas, porque aí ninguém mais vai comprar. O brasileiro usa camisa de times, mas não da Seleção durante o dia a dia, então tem que torcer pra Seleção ir bem, senão a gente fica no prejuízo”, completa.
DECORAÇÃO
Um dos municípios que mais investiu em decoração foi Quatiguá, onde calçadas e meio-fios receberam pinturas em verde e amarelo. Entretanto, uma parcela grande da população não gostou da mudança e teceu críticas a iniciativa.
“Em nenhuma cidade vizinha eu vi isso, e sou contra sim, onde já se viu ficar gastando dinheiro do povo com essa besteira? Eu acho que essa Copa é uma bela de uma presepada e a gente não devia apoiar não. Vou torcer contra a Seleção e não vejo a hora disso tudo acabar”, critica a enfurecida aposentada Maria de Lourdes Alves Santana, moradora de Quatiguá.
Por LUCAS ALEIXO