
Redação - Folha Extra
AGRONEGÓCIO - As chuvas intensas, os ventos fortes e os episódios de granizo registrados no Paraná entre os dias 8 e 14 de setembro acenderam um sinal de alerta para produtores rurais do Norte Pioneiro e dos Campos Gerais. Em uma das semanas mais instáveis do ano, o avanço das precipitações interrompeu colheitas, atrasou plantios e aumentou a preocupação com perdas de qualidade em culturas estratégicas para a economia regional, como trigo, milho, café e feijão.
Segundo o boletim de Condições de Tempo e Cultivo divulgado pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o período foi marcado por chuvas intensas, trovoadas, rajadas de vento e possibilidade de granizo em diversas regiões paranaenses. As instabilidades atingiram justamente um momento importante para várias culturas de inverno e para o início da implantação das lavouras de verão.
No Norte Pioneiro, onde municípios como Jacarezinho, Santo Antônio da Platina, Wenceslau Braz, Ibaiti, Ribeirão do Pinhal e Cornélio Procópio têm forte participação na produção agrícola, uma das principais preocupações está relacionada ao trigo. O cereal entrou em fase decisiva de maturação e colheita, mas as precipitações reduziram o ritmo dos trabalhos em diversas áreas. De acordo com o Deral, a qualidade dos grãos passou a ser a principal preocupação dos produtores, diante do risco de redução do peso e deterioração provocados pelo excesso de umidade. O cenário é agravado pela ocorrência de doenças de espiga e pelos danos pontuais causados pelos ventos fortes.
Os dados do levantamento estadual mostram que apenas 29% das lavouras de trigo são consideradas em boas condições, enquanto 68% se encontram em situação média ou ruim. Além disso, 58% das áreas já estão em maturação, justamente a fase mais sensível aos efeitos das chuvas persistentes.
Outra cultura acompanhada de perto pelos produtores da região é o milho. A colheita da segunda safra está praticamente concluída, mas houve registros de acamamento de plantas provocado pelos ventos intensos. As chuvas também interromperam temporariamente a retirada dos últimos talhões ainda pendentes. Ao mesmo tempo, o plantio do milho de verão avançou em diversas propriedades, aproveitando a umidade do solo, embora as precipitações mais recentes tenham provocado novas interrupções nos trabalhos de campo.
Nos Campos Gerais, região reconhecida pela produção de grãos e pela agricultura mecanizada, os impactos também atingem a cadeia da batata. Conforme o relatório, operações de manejo e colheita foram prejudicadas pelo excesso de umidade. Em algumas áreas, atividades como adubação e amontoa precisaram ser suspensas, enquanto a colheita da segunda safra enfrentou paralisações devido às dificuldades de acesso e ao risco de comprometimento da qualidade dos tubérculos. O boletim ainda registra casos de erosão pluvial em áreas recém-implantadas, com danos considerados irreversíveis.
A cafeicultura, atividade importante em municípios do Norte Pioneiro, também acompanha os reflexos das condições climáticas. Embora a colheita tenha sido concluída com produtividade acima das expectativas em algumas áreas, o excesso de umidade passou a preocupar produtores e técnicos devido aos possíveis impactos sobre a qualidade final do produto durante as etapas de secagem e beneficiamento.
As chuvas ainda influenciam diretamente o planejamento da próxima safra. O plantio de feijão e soja começou em parte do estado, mas a continuidade das operações depende da redução da umidade do solo. O Deral relata que diversas áreas tiveram a semeadura interrompida temporariamente pelas precipitações, situação que também afeta produtores que buscam aproveitar a melhor janela agrícola para implantação das culturas de verão.
Além dos impactos diretos nas lavouras, os temporais aumentam os custos de produção. Máquinas ficam impedidas de operar em solos encharcados, pulverizações são adiadas e doenças fúngicas encontram ambiente favorável para se desenvolver. O boletim aponta esse cenário em culturas como cevada, que enfrenta dificuldades para tratamentos fitossanitários e risco de perdas de produtividade e qualidade devido à elevada umidade e à baixa incidência de radiação solar.
Enquanto produtores aguardam uma sequência maior de dias secos para retomar as atividades no campo, a preocupação permanece concentrada nos efeitos acumulados das chuvas sobre a qualidade da produção. Em regiões agrícolas como o Norte Pioneiro e os Campos Gerais, onde a economia depende fortemente do desempenho das lavouras, os próximos dias serão decisivos para medir o impacto real dos temporais sobre a safra 2025/26 e sobre o início do novo ciclo produtivo.