Enquanto o Paraná cresce, região perde mais de 5,5 mil moradores em 10 anos

Levantamento da Folha mostra movimento contrário ao crescimento estadual em 37 municípios; por trás do saldo negativo, há cidades que perderam até 17% da população e outras que cresceram mais de 20%

Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
02/09/2026 às 17h21
Enquanto o Paraná cresce, região perde mais de 5,5 mil moradores em 10 anos
Assaí teve a maior queda proporcional da região, com redução de 17,3% na população estimada em dez anos. Foto: Divulgação

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

Se fosse possível reunir em um único lugar todos os moradores de 37 municípios da região, tirar uma fotografia e repetir a cena dez anos depois, 5.593 cadeiras estariam vazias. É essa a diferença que separa as estimativas populacionais de 2016 e 2026. Um levantamento realizado pela Folha com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que, enquanto o Paraná cresceu ao longo da última década, a região percorreu o caminho contrário e chega a 2026 com menos habitantes.

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Há 10 anos atrás, em 2016, as cidades analisadas pela reportagem somavam população estimada em 571.683 habitantes. Em 2026, são 566.090. Parece uma mudança pequena diante de meio milhão de pessoas, mas o movimento chama a atenção quando colocado ao lado do que aconteceu no Paraná na última década.

Neste mesmo intervalo de tempo, o Estado seguiu na direção oposta. A população paranaense passou de 11,24 milhões para 11,95 milhões de habitantes, um acréscimo superior a 709 mil pessoas, equivalente a 6,3%. Isso, de acordo com os últimos dados do IBGE, divulgados em 1º de julho deste ano.

As 37 cidades da região, no entanto, chegaram em 2026 menor do que era uma década atrás. Mas estes dados ainda escondem curiosidades. Enquanto algumas cidades perderam uma parcela considerável de seus moradores, outras atravessaram os últimos dez anos crescendo em ritmo acelerado.

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Basta colocar Assaí e Carlópolis lado a lado para perceber como essa última década produziu realidades completamente diferentes. Assaí tinha população estimada em 16.104 habitantes em 2016. Neste ano, são 13.320. São 2.784 moradores a menos, uma redução de aproximadamente 17,3%.

Carlópolis percorreu o caminho inverso. A cidade saiu de 14.384 para 17.985 habitantes. Em apenas uma década, ganhou 3.601 moradores e cresceu aproximadamente 25%. Na prática, duas cidades que tinham populações relativamente próximas em 2016 chegam a 2026 em posições completamente diferentes. Há dez anos, Assaí tinha cerca de 1,7 mil moradores a mais que Carlópolis. Hoje, Carlópolis aparece com aproximadamente 4,6 mil a mais que Assaí.

Dos 37 municípios analisados, 23 apresentaram população estimada menor que em 2016. Depois de Assaí, uma das maiores reduções proporcionais aparece em Itambaracá. A população estimada caiu de 6.835 para 5.766 habitantes, recuo de aproximadamente 15,6%, enquanto Nova Fátima passou de 8.357 para 7.083, redução de 15,2%.

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O movimento também aparece em cidades maiores. Sengés perdeu 2.222 habitantes na comparação entre as estimativas, passando de 19.373 para 17.151. Já Cornélio Procópio, maior município entre os pesquisados em 2016, registrou a maior redução em números absolutos: eram 48.615 habitantes há dez anos, contra 45.614 atualmente, uma diferença de 3.001 pessoas.

A lista, porém, vai muito além dos municípios com as quedas mais acentuadas. Também aparecem com população menor Abatiá, Andirá, Arapoti, Bandeirantes, Cambará, Congonhinhas, Conselheiro Mairinck, Curiúva, Figueira, Ibaiti, Japira, Jundiaí do Sul, Ribeirão do Pinhal, São Jerônimo da Serra, São José da Boa Vista, São Sebastião da Amoreira, Tomazina e Wenceslau Braz.

Na outra ponta, 14 cidades cresceram na última década. O maior avanço proporcional foi registrado em Carlópolis, que saltou de 14.384 para 17.985 habitantes, alta de 25%. Logo atrás aparece Guapirama, com crescimento de 24,4%.

Em números absolutos, o destaque é Siqueira Campos, que ganhou 3.996 moradores e passou de 20.303 para 24.299 habitantes, crescimento de 19,7%. Também avançaram com força Ribeirão Claro, de 10.945 para 12.959, e Quatiguá, de 7.441 para 8.491.

A lista de municípios que cresceram inclui ainda Santana do Itararé, Jaboti, Joaquim Távora, Pinhalão, Jaguariaíva e Jacarezinho. Com aumentos mais discretos, Barra do Jacaré, Salto do Itararé e Santo Antônio da Platina completam o grupo, mostrando que, apesar da redução registrada no conjunto da região, algumas cidades seguiram caminho oposto ao longo da década.