
O Norte Pioneiro carrega marcas profundas da própria história. Região que já foi conhecida como “Ramal da Fome” por causa da extrema pobreza enfrentada no passado e fortemente atingida pela histórica Geada Negra de 1975, hoje vive uma realidade completamente diferente. Impulsionado principalmente pelo café e pelo morango, o território se transformou em uma das maiores forças do agronegócio paranaense e passou a liderar, ano após ano, os principais rankings estaduais de produção.
De Carlópolis a Jaboti, passando por Pinhalão, Ibaiti, Tomazina e Ribeirão Claro, municípios nortepioneirenses consolidaram uma força histórica nas produções. Os dados oficiais da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostram que, entre 2012 e 2024, o Norte Pioneiro manteve protagonismo praticamente absoluto tanto na cadeia do café quanto na do morango, reforçando a força histórica da região nas duas culturas. Os dados de 2025 serão lançados em um documento preliminar até o dia 30 de junho.
Se existe uma cidade que se acostumou a ocupar o topo da cafeicultura paranaense, ela é Carlópolis. Se formos comparar com o futebol mundial, Carlópolis seria um Real Madrid da vida. Desde 2012, o município aparece como líder estadual no VBP do café, atravessando mais de dez anos como principal referência da cultura no Paraná.
Em 2024, Carlópolis registrou impressionantes R$ 294,3 milhões em VBP do café, respondendo sozinha por 25,99% de toda a produção cafeeira do estado. O número reforça uma hegemonia que já vinha sendo construída ao longo da última década, quando o município liderou todos os levantamentos estaduais analisados.
Mas Carlópolis não carrega o Norte Pioneiro sozinha. O ranking estadual do café virou praticamente território da região ao longo dos anos. Em 2024, Pinhalão apareceu em segundo lugar, com R$ 100,1 milhões e 8,84% de participação estadual. Na sequência vieram Ibaiti, com R$ 66,8 milhões, e Tomazina, com R$ 56,9 milhões.
Além do quarteto no topo, outras cidades da região seguem entre as maiores produtoras do estado, como Ribeirão Claro, Santo Antônio da Platina, Jaboti, Japira e São Jerônimo da Serra.
Nos últimos 14 anos analisados pela Seab, ao menos quatro cidades do Norte Pioneiro estiveram entre as cinco maiores produtoras de café do Paraná. Em alguns períodos, o domínio regional foi ainda mais impressionante: nos anos de 2014, 2018 e 2022, o top 5 estadual da cafeicultura foi completamente ocupado pela região.
Outro diferencial da região do Norte Pioneiro é o projeto Mulheres do Café, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR). Desde 2013, o órgão reúne produtoras da região para incentivar o protagonismo feminino na produção familiar. Os Cafés Especiais também se destacam na região.
No morango, a história não é muito diferente, e Jaboti aparece como personagem principal dessa trajetória. Intitulada como a Capital do Morango no Paraná, a cidade construiu uma liderança histórica dentro da principal cadeia produtiva da fruta no Estado. Desde 2012, Jaboti aparece entre os maiores produtores estaduais em praticamente todos os levantamentos oficiais da Seab.
A cidade liderou o ranking estadual do morango entre 2012 e 2016, período em que consolidou sua marca agrícola e fortaleceu a produção familiar. Depois disso, continuou ocupando espaço entre os cinco maiores produtores do Paraná, mantendo presença constante no topo mesmo diante do crescimento de outras regiões produtoras.
Mesmo sem o domínio completo do ranking durante anos, em 2022 Jaboti foi consolidada como a Capital do Morango Paranaense, através de uma Lei estadual. Nos últimos anos, porém, Jaboti retomou a liderança estadual de forma ainda mais expressiva. Em 2023, o município voltou ao primeiro lugar, com R$ 69,7 milhões em VBP e 12,76% de participação estadual. Já em 2024, os números dispararam novamente: foram R$ 96,4 milhões em VBP e 13,67% de participação em toda a produção estadual.
Outro destaque constante é Pinhalão. O município aparece há anos entre os maiores produtores estaduais de morango e também figura entre os líderes do café, algo raro no Paraná. Em 2024, Pinhalão ocupou a quarta posição estadual no morango, com R$ 50,9 milhões em VBP, além de aparecer como segundo maior produtor de café do estado.
Estes não são os únicos destaques da região, mas são dados que mostram a força e o impacto que o Norte Pioneiro causa no Paraná.