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Morre Luiz Castro, o homem que plantou mais de 60 mil árvores no Norte Pioneiro

Morador e ex-prefeito do município de Jaboti, seu Luiz deixou um legado de amor e respeito pela natureza transformando sua propriedade na maior reserva ambiental particular do Paraná

19/06/2024 às 12h55
Por: Marcelo Aguiar Fonte: Redação
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Foto: Reprodução/Internet.
Foto: Reprodução/Internet.

Morreu na última segunda-feira (17) uma das figuras mais icónicas da região do Norte Pioneiro, Luiz Castro, ex-prefeito de Jaboti e criador da maior reserva ambiental particular do Paraná. Uma figura única que deixou um legado de amor e respeito com a natureza.

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Além de ter sido prefeito do município, seu Luiz ou “Luizão da Reserva”, Luizão do Parque Ambiental, apelidos pelos quais era conhecido popularmente entre os moradores do município de Jaboti, também transformou sua propriedade em uma das maiores reservas ambientais particulares do Paraná.

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No ano de 2022, este jornalista que vos escreve teve o prazer de conversar e bater um papo com seu Luiz, uma figura de calma e paciência única que por horas nos prendia em suas histórias de vida sempre ligadas a luta no trabalho, a dedicação e amor incondicional a Natureza.

Na época, seu Luiz contou que era natural de Minas Gerais e, desde a infância, aprendeu os dons da carpintaria com seu pai e o amor pela natureza que veio de sua mãe. Ainda menino, já gostava de fabricar seus brinquedos em peças de madeira, assim como ajudava e aprendia com a mãe tarefas e segredos da natureza.

Seu Luiz contou que trabalhava com a entrega de polvilho e realizava entregas na região de Ibaiti, foi quando conheceu a cidade de Jaboti. Para ele, foi amor à primeira vista e, de certa forma inusitada. Ele contou que se deparou com uma grande área devastada pela exploração de madeira na época, situação que o atraiu a comprar a propriedade inicialmente para montar um engenho e produzir polvilho na região.

Um respeito nato e único era o sentimento que este homem carregava pela natureza. Com isso, utilizava de árvores já caídas para construir suas ferramentas, pois acreditava que não era correto derrubar, mas sim plantar uma árvore. Durante a visita a sua propriedade, ou melhor, ao seu santuário, seu Luiz fez questão de mostrar cada detalhe e contar a história de cada pedacinho de seu cantinho sagrado, um local que conta com lagos cercados por pedras, pequenas grutas, roda d’água entre outras estruturas e objetos que tornam o ambiente ainda mais atraente e interessante, além de diversas placas com frases de proteção, preservação e amor a natureza.

O papo estava bom e seu Luiz, apesar da idade, bem consciente e recordando do passado e do presente. Se até ali os olhos já estavam encantados e a sensação de contato com a natureza era surreal, mal sabia que aquele senhorzinho ainda guardava segredos fantásticos.

Convidado a ir até um barracão aos fundos da propriedade, seu Luiz abre as portas e revela um segredo de nos deixar de queixo caído e olhos vidrados. Neste local, havia um acervo que, segundo seu Luiz, superavam 200 obras de arte e esculturas feitas por suas próprias mãos, e com um detalhe, sem jamais derrubar uma se quer árvore.

São tantas obras primas da carpintaria que fica até difícil descrever o talento que este homem tinha para trabalhar com as madeiras. Em dado momento do bate papo, ele contou que sempre utilizava materiais que encontrava como troncos caídos em rios, árvores que foram derrubadas por raios ou pelo vento, penas de animais que estavam caídas pela floresta, mas jamais derrubou uma árvore, o que torna suas obras primas ainda mais únicas. Um de seus orgulhos, uma imensa roda d’agua construída pelas suas próprias mãos e que não utilizava nenhum parafuso. A beleza de suas criações é surreal.

Falando em plantar árvores, seu Luiz contou que quando chegou a Jaboti e comprou a propriedade a grande maioria estava devastada. Com isso, enquanto construía sua casa e seu engenho ele foi plantando árvores. Ele contou que desde que chegou a Jaboti acredita ter plantado mais de 60 mil árvores criando assim uma das maiores reservas ambientais particulares do Paraná.

Com o passar dos anos e o fim das atividades com o polvilho, seu Luiz seguiu demonstrando o quanto seu coração era grande não apenas no amor pela natureza, mas com o próximo. Ele então resolveu abrir as portas de sua propriedade para que a população da região pudesse sentir o prazer deste contato com a natureza, além de receber alunos de escolas e crianças e sempre contar suas histórias incentivando os pequenos a amar, preservar e proteger a natureza.

Aos seus 88 anos de idade, a natureza retribuiu todo o amor que seu Luiz teve com ela e, na segunda-feira (17) o levou devido a causas naturais, mas certamente o seu legado seguirá marcado na história de Jaboti e região em uma mescla de tristeza por sua partida misturada com a alegria e o privilégio de o ter conhecido.

O velório foi realizado na Câmara Municipal de Vereadores e o sepultamento foi realizado nesta terça-feira (18) em Jaboti.

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