MEMÓRIAS

Das cinzas ao legado: Estação ferroviária de Joaquim Távora é reconstruída e se torna museu

Local foi consumido pelas chamas em 2013, mas passou por um processo de reconstrução e abriga objetos que contam um pouco da história do município e da região

19/05/2022 09h07
Por: Daniele Caetana
Fonte: Redação
Diretores e funcionários da estação Affonso Camargo posam, provavelmente no dia da inauguração da estação nos anos 1920. Foto: Arthur Wischral
Diretores e funcionários da estação Affonso Camargo posam, provavelmente no dia da inauguração da estação nos anos 1920. Foto: Arthur Wischral

Em 7 de setembro de 1923 foi inaugurada a tão querida Estação Ferroviária Affonso Camargo no município de Joaquim Távora, no Norte Pioneiro.

A estação foi aberta com o nome de Affonso Camargo. De acordo com o relatório da RVPSC 1923, o local era descrito como “toda de madeira, obedecendo ao novo tipo de estação de 3ª classe, aprovado pela inspetoria. Assentada sobre alicerces de alvenaria de pedra e com plataforma na mesma alvenaria”. Se tornando um marco na colonização do município, possibilitando seu desenvolvimento através do comércio de café, algodão e da madeira extraída da região.

A linha que operava pela estação era chamada de Paranapanema e foi inicialmente construída para evitar o “perigo paulista”, ou seja, a exportação de mercadorias do Norte Velho do Paraná via E. F. Sorocabana pelo porto de Santos.

Deu-se continuidade no trânsito até 1937, quando alcançou a já existente E. F. São Paulo-Paraná e por ela atingiu o tráfego mútuo a cidade de Ourinhos, em São Paulo.

Depois da abertura da linha Apucaranas-Uvaranas, em 1975, o ramal entrou em decadência por ter uma linha obsoleta e cheia de curvas. O último trem de passageiros, Trem do Norte, rodou em junho de 1979. Em 2001, apenas o tráfego de cargueiros estava funcionando até que foi suspenso pela ALL, concessionária que estava utilizando a linha até então. Assim a linha foi desativada e praticamente abandonada em toda a sua extensão.

Apesar do encerramento, a estação ferroviária permaneceu e com o tempo se tornou um local de lembranças, sendo tombada pelo Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Paraná.

Com o passar do tempo, acabou ficando de lado e comprometida por vandalismos. Por isso, a América Latina Logística (ALL) se comprometeu em restaurar seis es­­tações ferroviárias localizadas em ramais fora de operação no interior do Paraná, sendo uma delas a Estação Affonso Pena.

Um pouco antes de ser iniciado o processo de restauração, em fevereiro de 2013, uma fatalidade acorreu. Um incêndio atingiu a estação e se alastrou rapidamente pela estrutura de madeira. Os bombeiros foram acionados, mas quando chegaram o local já estava completamente destruído pelo fogo.

Estação Affonso Camargo antes do incêndio. Foto: Divulgação.  

 

Conforme o diretor de Cultura do município, Flávio Luís Ribeiro, não se sabe comprovadamente até hoje a causa do acidente. “Na época a polícia averiguou toda a situação, mas nada foi concretizado. Alguns rumores diziam que foram menores de idade que causaram o incêndio, mas nada foi comprovado”, disse.

Após o incêndio a estação foi completamente destruída, causando comoção por muitos moradores da cidade. “Na época do incêndio eu ainda não era diretor de Cultura, mas a perda de um local tão importante para o município realmente entristeceu a todos, principalmente as pessoas mais velhas que guardavam com carinho o local”, comenta Flávio.

Ruinas do incêndio da Affonso Camargo em fevereiro de 2013. Foto: Divulgação. 

 

Em 2016, a ALL, começou a trabalhar na réplica do prédio original, com o objetivo de recuperar manter presente parte da história de construção cultural e social do município.

A antiga estrutura foi construída em madeira peroba, mas atualmente há uma grande escassez do produto, por isso o projeto de construção foi adaptado para madeira de cedro.

O local agora possui 270 metros quadrados e foi erguido sobre o mesmo alicerce de alvenaria, um dos únicos que resistiu às chamas. “Reconstruir a estação foi de extrema importância. A estação significa a valorização do patrimônio histórico cultural, a identidade que molda as pessoas que nasceram aqui”, enfatiza Flávio.

Hoje em dia na Estação funciona a divisão de Cultura do município e também o Museu Memorial Tavorense. O acervo é composto por diversos objetos de época, como antigas maquinas de escrever, rádios, fotos, livros, entre muitas outras coisas que foram todas doadas pela população para compor o museu. O local é aberto para visitação, sendo de segunda a sexta-feira das 08h00 às 17h00. Além disso, o local desenvolve diversos projetos culturais disponibilizados para toda a população.

Estação Affonso Camargo após a reconstrução. Foto: Divisão de Cultura. 

 

Acervo disponibilizado pela população para compor o museu tavorense. Foto: Divisão de Cultura. 

 

 

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