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Viação Real

Viação Real

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26/07/2015 às 11h52 Atualizada em 26/07/2015 às 14h52

Siqueira

HISTÓRIA

Siqueira Campos já teve vôos diários para Curitiba e São Paulo.

Com a fundação do aeroporto local, em 1952, uma companhia área passou a operar vôos para estes dois destinos, porém o pouco movimento de passageiros tornou inviável a continuidade da linha, que não durou nem três anos.

Provavelmente você não saiba, mas Siqueira Campos já teve vôos regulares partindo do aeroporto local rumo a Curitiba e São Paulo. E a grande possibilidade dos caros leitores não terem conhecimento disso é a data: meados da década de 50.

A história tem início precisamente com a fundação do então chamado Aeroporto Municipal de Siqueira Campos em 7 de setembro de 1952, às margens da PR-424, entre Siqueira Campos e Salto do Itararé, na primeira gestão do prefeito João Ramos.

Para a prefeitura realizar a obra, devido a falta de orçamento, o prefeito realizou mutirões entre os moradores locais e assim João Ramos, um entusiasta da aviação, pode finalmente realizar um dos seus maiores sonhos: proporcionar a Siqueira Campos linhas áreas com vôos diários para Curitiba e São Paulo, com escala em Jacarezinho, tendo início em 1953.

A empresa responsável pelos vôos era a Real (mais detalhes no Box). “Meu pai gostava muito da aviação e um dos maiores sonhos dele era ver Siqueira Campos tendo vôos para cidades grandes. Ele acreditava que isso seria um grande progresso para a cidade e para a região”, afirma João Ramos Filho, filho do ex-prefeito e hoje com 73 anos, ainda morador de Siqueira Campos.

“Meu pai lutou muito para ter esse aeroporto aqui. Ele foi um prefeito visionário, pensava grande e não mediu esforços para ver os aviões decolando de Siqueira Campos. Para construir o aeroporto ele pegou uma motoniveladora que estava encostada no pátio do DER, após ir até Curitiba pedir permissão para o governo, e a reformou por inteiro para poder fazer a terraplanagem da pista”, afirma João, lembrando que o pai foi responsável pela construção de escolas e postos de saúde no município, o que até então praticamente não existia.

E os esforços do ex-prefeito eram tamanhos que ele chegava a mandar os filhos viajarem sem ter necessidade apenas para “movimentar” a linha área. “O meu pai fazia tanta questão da empresa área daqui que fazia eu e meus irmãos viajar só por viajar, porque o movimento era pouco e ele queria contribuir ainda mais para a permanência da Real em Siqueira Campos”.

Entre as viagens desnecessárias João conta que certa vez, de Curitiba para Siqueira Campos, durante uma forte tempestade o piloto se perdeu e acabou sobrevoando cidades vizinhas na tentativa por achar o destino correto. “Era uma chuva muito forte, não se via nada. Os passageiros ficaram com medo, muitos rezando em voz alta até, e eu lembro de ter sobrevoado Santo Antonio da Platina bem baixo, depois Salto do Itararé também bem baixo, já com uma chuva mais fraca. Aí o piloto veio seguindo a estrada de Salto para Siqueira e conseguimos chegar”, relembra.

Outra história é de uma passagem vendida na agência da Real de Siqueira Campos com destino a Itália. “Existiam muitos italianos nos Barbosas, e certa vez eles compraram aqui em Siqueira Campos uma passagem para Itália. O avião saiu daqui com rumo para São Paulo e de lá eles partiram, mas a passagem foi comprada na agência de Siqueira Campos”, conta João.

Mas nem os esforços do prefeito visionário foram suficientes para manter Siqueira Campos na “rota área” brasileira. Antes de completar três anos de viagens regulares, o movimento escasso fez com que a permanência dos vôos se tornasse inviável. “Foi uma pena, mas não tinha movimento grande mesmo, e aí parece que não compensava mais. Infelizmente não durou nem três anos”, lamenta-se João. “Foi uma grande decepção para o meu pai, já que ele tinha lutado tanto por isso. Ele ficou muito triste. E é uma tristeza que a gente também carrega, de ver que esse sonho dele infelizmente até hoje não se tornou realidade, e na região não existe aeroporto com vôos comerciais”.

Reportagem gentilmente cedida pelo jornal Folha Extra.

Por LUCAS ALEIXO

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