
Redação - Folha Extra
NORTE PIONEIRO - A sequência de temporais prevista para o Paraná nos próximos dias coloca também o campo entre as áreas de atenção. No Norte Pioneiro, onde a produção agrícola ocupa grande parte do território rural, chuva intensa, granizo e rajadas fortes de vento podem provocar perdas em lavouras, interromper trabalhos no campo e comprometer culturas que estão em diferentes fases de desenvolvimento.
O cenário ganha atenção após os estragos registrados no Oeste do Paraná durante a madrugada desta quarta-feira (9), quando temporais provocaram rajadas próximas de 95 km/h, queda de árvores e danos em plantações. O episódio mostra que, além dos impactos em áreas urbanas, eventos severos podem atingir diretamente propriedades rurais e gerar prejuízos que nem sempre aparecem imediatamente.
Segundo o Simepar, setembro terá chuvas acima da média no Paraná, com passagem de frentes frias e atuação de sistemas de baixa pressão. A primeira quinzena do mês deve concentrar episódios de instabilidade, enquanto a combinação de calor e umidade favorece pancadas de chuva e tempestades, algumas delas com volumes elevados. O instituto também aponta risco de fortes rajadas de vento em todas as regiões do Estado até o fim de semana.
No campo, um dos principais riscos está relacionado ao vento. Rajadas intensas podem derrubar plantas, quebrar hastes e provocar acamamento, situação em que culturas ficam inclinadas ou deitadas sobre o solo. Dependendo da fase da lavoura, o dano pode dificultar a colheita e reduzir a produtividade. Plantas mais altas e áreas expostas também ficam mais vulneráveis.
O granizo representa outro perigo. As pedras de gelo podem perfurar folhas, quebrar ramos, derrubar frutos e danificar estruturas reprodutivas das plantas. Em culturas permanentes, como café e frutas, os prejuízos podem atingir não apenas a produção atual, mas também partes da planta responsáveis pelo desenvolvimento das próximas safras. A intensidade da perda depende do tamanho das pedras, duração da queda e estágio da cultura.
A chuva em excesso também pode trazer problemas. Solos saturados dificultam a entrada de máquinas, atrasam operações de plantio, aplicação de defensivos e colheita, além de favorecer erosão em terrenos com maior declividade. O excesso de água ainda pode reduzir a oxigenação do solo e criar condições para o surgimento ou agravamento de doenças em algumas culturas.
Foto: Isack Ferreira da Cruz
Para produtores do Norte Pioneiro, o risco ocorre em um período de transição entre inverno e primavera, marcado por mudanças rápidas nas condições do tempo. O Simepar registrou recentemente episódios de chuva forte, raios e rajadas na região, incluindo ventos ao redor de 60 km/h em Santo Antônio da Platina durante uma madrugada de instabilidade.
Os efeitos de um temporal também podem atingir estruturas e atividades que dão suporte à produção. Galpões, estufas, cercas, silos, instalações para animais, sistemas de irrigação e redes de energia podem ser danificados, dificultando o funcionamento das propriedades. Árvores derrubadas por ventos fortes também podem bloquear estradas rurais e impedir o acesso de veículos e máquinas.
Outro ponto de atenção é a ocorrência de chuva intensa em curto intervalo. Mesmo quando o volume total registrado no dia não é excepcional, a concentração da precipitação em poucos minutos pode provocar enxurradas, carregar solo e expor raízes, especialmente em áreas sem cobertura vegetal adequada.
A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento mantém acompanhamento das condições de tempo e cultivo no Estado, enquanto o Simepar atualiza as previsões para chuva, tempestades e outros fenômenos meteorológicos. Para o produtor rural, a evolução dos alertas pode ser importante para organizar operações de campo e avaliar a exposição das áreas cultivadas diante da possibilidade de tempestades severas afetadas.