
DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
SANTO ANTÔNIO DA PLATINA - Há quase 13 anos, uma criança de apenas 2 anos desapareceu sem deixar vestígios em uma propriedade rural de Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro do Paraná. Desde então, buscas, prisões, diferentes linhas de investigação e inúmeras diligências mobilizaram a Polícia Civil, mas o paradeiro de Cristiano Soares jamais foi descoberto. Hoje, o menino continua oficialmente desaparecido, e um dos casos mais intrigantes da história da região permanece sem resposta.
Procurada pela reportagem da Folha Extra, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou que o inquérito foi arquivado após o esgotamento de todas as diligências investigativas possíveis. “Após as equipes de investigação realizarem todas as diligências possíveis, o inquérito foi arquivado. O menino segue desaparecido”. Apesar disso, a corporação ressalta que o procedimento poderá ser reaberto caso surjam novas informações capazes de esclarecer o desaparecimento.
Tudo começou na manhã de 25 de novembro de 2013. Naquele dia, a rotina da família de Cristiano Soares foi interrompida por um desaparecimento que mudaria suas vidas para sempre.
O menino estava na casa onde vivia com os pais, na Fazenda Estância Jalisco, uma propriedade rural do bairro Boi Pintado, logo às margens da PR-092. Por volta das 11h, o pai do garoto, o caseiro Amarildo Soares, retornou para casa para almoçar, e percebeu que o filho já não estava mais em casa.
As buscas começaram ainda naquele dia e reuniram vizinhos, familiares, equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil e Polícia Militar na procura pelo menino. A extensa área de mata, represas e vegetação ao redor da propriedade tornou os trabalhos ainda mais complexos.
Em depoimento à Polícia Civil, Amarildo contou que Graciele Marcolino estava na residência durante a manhã do desaparecimento, mas disse não ter percebido que Cristiano havia sumido.
No dia seguinte, investigadores voltaram ao sítio acompanhados de um cão farejador do 5º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Londrina. Apesar das buscas intensificadas, nenhum vestígio da criança foi localizado.
À medida que a investigação avançava, o comportamento da mãe de Cristiano passou a chamar a atenção dos investigadores. Nos depoimentos, Graciele apresentou versões contraditórias sobre os acontecimentos e mencionou a existência de uma mulher que, segundo ela, teria demonstrado interesse em ficar com a criança.
Inicialmente, ela afirmou que havia tido contato com essa mulher mais de um ano antes do desaparecimento. Pouco tempo depois, porém, mudou a versão e disse tê-la encontrado cerca de um mês antes, em um ônibus na rodoviária de Santo Antônio da Platina.
As contradições, somadas a outros elementos levantados durante a investigação, levaram a Polícia Civil a solicitar sua prisão temporária, autorizada pela Justiça. Graciele permaneceu presa por dez dias enquanto novas diligências eram realizadas, mas negou saber o paradeiro do filho. Posteriormente, ela foi colocada em liberdade e o pedido de prisão preventiva acabou sendo negado pela Justiça.
Na época, o delegado Tristão Borborema de Carvalho Filho, responsável pelo caso, também revelou que o cão farejador indicou que Cristiano poderia ter sido levado até a estrada. Próximo ao local, os investigadores identificaram indícios de que um veículo havia parado recentemente, reforçando a hipótese de que a criança pudesse ter sido retirada da propriedade.
Com o avanço das diligências, outra hipótese passou a ser investigada pela Polícia Civil. Informações reunidas durante o inquérito apontavam que o avô materno de Cristiano teria estado na região dias antes do desaparecimento, fazendo perguntas sobre a rotina do neto.
A principal suspeita investigada naquele momento era de que o menino pudesse ter sido levado para uma aldeia indígena na região de Tamarana, no Norte do Paraná, onde o avô residia.
Com autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai) e das lideranças indígenas, equipes da Polícia Civil realizaram buscas na aldeia indicada. Apesar das diligências, Cristiano não foi encontrado e nenhuma prova confirmou a hipótese.
Passados quase 13 anos, o desaparecimento de Cristiano Soares continua oficialmente sem solução. Enquanto isso, Cristiano permanece cadastrado no sistema oficial de pessoas desaparecidas da Polícia Civil do Paraná.