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Siqueira Campos se despede de Bigode, o cãozinho religioso que conquistou o coração dos moradores

Participando de missas, velórios, procissões e diversos outros eventos públicos, Bigode marcou a história da cidade e se tornou um ícone memorável

Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
05/03/2025 às 10h31 Atualizada em 05/03/2025 às 10h44
Siqueira Campos se despede de Bigode, o cãozinho religioso que conquistou o coração dos moradores
Bigode não perdia missas e procissões, além de outros eventos públicos. Foto: Divulgação

Em cada canto de Siqueira Campos, seja em uma missa, um evento esportivo, um velório ou qualquer outro evento, havia uma certeza: Bigode estaria lá. O cachorro que se tornou símbolo de carinho e companheirismo na cidade partiu na última terça-feira (04), supostamente vítima de picada de um bicho peçonhento. Sua morte gerou grande comoção entre os moradores e gerou homenagens nas redes sociais, que reforçam o quanto sua presença marcou a vida da comunidade local.

Bigode não era um cachorro de rua como os outros. Ele tinha o costume de frequentar missas, velórios e procissões, como se compreendesse a importância desses momentos para a comunidade. Sempre atento, o cãozinho acompanhava os fiéis e parecia compartilhar do sentimento de cada reunião. Em um episódio curioso, testemunhas afirmam que o cão costumava latir quando os fiéis batiam palmas durante as celebrações na igreja.

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A presença constante do animal em eventos públicos era tão marcante que ele chegou a ser fotografado ao lado do prefeito, do vice-prefeito e de todos os vereadores da cidade após uma missa de ação de graças.

Além de sua participação nos eventos religiosos e sociais, Bigode também ficou conhecido por um ato inusitado durante a pandemia. Em uma matéria publicada pela Folha, no ano passado, contando os feitos de Bigode, Luciano dos Santos, Diretor de Esportes do município, relatou que presenciou o cachorro impedir que um homem desrespeitasse as medidas sanitárias impostas na cidade.

"Durante a pandemia, os bancos estavam isolados, e algumas ruas estavam interditadas com fitas e cones. Um homem tentou remover a barreira para passar com o carro, mas Bigode avançou e não deixou que ele continuasse. Eu vi isso com meus próprios olhos. Mas acredite, Bigode era um cão dócil e amável, não faria mal a ninguém", recordou Luciano.

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Contudo, Bigode acabou falecendo e a notícia de seu falecimento se espalhou pelas redes sociais, onde moradores compartilharam mensagens de carinho e tristeza. Alguns moradores sugeriram que o cão recebesse uma homenagem, pela criação de uma estátua ou até mesmo com a preservação de sua memória no Museu de Siqueira Campos.

Bigode tem memoriais e homenages na Casa da Cultura. Foto: Divulgação

 

Em contato com o Diretor de Cultura da cidade, a Folha confirmou que memoriais e homenagens a esta figura histórica do município já existem, e que Bigode ficará na lembrança da cidade como um “mascote” para os moradores que vivenciaram seus feitos.

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“Na Sala das Personalidades, em nosso Museu Histórico, há uma foto dele, seguido de um lindo poema, também sobre ele. Infelizmente não deu tempo de terminarmos a curta metragem que queríamos sobre ele este ano, mas ele ficará marcado em nossas memórias”, disse o Diretor de Cultura, Flávio Mello.

Nos versos do poema, publicado no ano passado e escrito por Flávio Coutinho Rosa, Bigode é referenciado como o “Rei das Ruas” de Siqueira Campos, e tem um pouco de sua história narrada.

 

“[...]É um vira-lata incansável

Que frequenta a Feira da Lua,

Que não perde uma procissão

E que será sempre o rei das ruas.

 

[...]Na rua, quintal da cidade,

Perambula orgulhoso e faceiro.

Na alegria, segue carreatas.

Na tristeza, acompanha cortejos.

 

Assim, sua imagem se eterniza,

Oh, cãozinho inocente,

Nas ruas da augusta Siqueira

E na memória de toda essa gente.”, diz um trecho do poema.

Bigode partiu, mas ficará na lembrança dos moradores, que pedem por homenages que eternizem sua imagem. Foto: Divulgação

 

Contudo, a cidade de Siqueira Campos se despede com tristeza de um grande ícone e mascote cultural, que representou, durante anos, um exemplo de fé e companheirismo. Nas redes sociais, os pedidos de uma homenagem para eternizar a figura de Bigode seguem firmes. “O certo seria fazer uma homenagem ao nosso amigo Bigode, o eternizando em forma de estátua na praça”, disse um internauta nas redes sociais.