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Editorial: A covardia do preconceito racial

Editorial: A covardia do preconceito racial

30/04/2014 às 11h25 Atualizada em 30/04/2014 às 14h25
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O jogador Tinga, do Cruzeiro, de Belo Horizonte, foi vítima de racismo na cidade de Hun Cayo, a 300 quilômetros de Lima, no Peru, no mês retrasado, durante a partida da equipe mineira contra o Real Garcilaso, válida pela primeira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América. Toda vez que o meio-campista tocava a bola, ouvia das arquibancadas imitações de sons de macacos.

Esse episódio gerou uma onda de solidariedade no Brasil. Jogadores, políticos e representantes de vários segmentos da sociedade saíram em defesa de Tinga e condenaram a atitude dos torcedores peruanos. Aliás, a população daquele país tem formação racial indígena. É tão miscigenada quanto à brasileira. No entanto, em Brasília, também no mês passado, ocorreram denúncias de racismo: uma australiana se recusou a ser atendida por uma manicure negra e uma passageira chamou uma cobradora de um ônibus de "negra ordinária".

O ator negro Vinicius Romão ficou preso por duas semanas no Rio de Janeiro, após ser acusado erroneamente de roubo. A polícia prendeu Dione Mariano da Silva, suspeito de ter roubado a mulher que admitiu ter se enganado ao apontar o ator como assaltante.

Nesta última semana, sobretudo, voltaram a ocorrer episódios de racismo na Europa, contra jogadores brasileiros. Daniel Alves, titular do Barcelona foi provocado durante alguns minutos com remessas de bananas dentro do campo pela torcida do Villareal, outro time espanhol. Mas Daniel Alves precisou de apenas seis segundos para provocar uma reação mundial, quando inusitadamente comeu uma das bananas arremessadas próxima a ele.

Esta semana a classe artística, esportiva e política de dezenas de países repetiu seu gesto em apoio ao jogador e ao fim do preconceito racial com o tema “Somos Todos Macacos”. No Brasil foi um dos assuntos mais repercutidos na imprensa e nas redes sociais.

Há 25 anos, o país definiu o crime de racismo, indicado na Constituição como inafiançável e imprescritível (Lei 7716/89). No entanto, ao longo dos anos, a norma passou por modificações. Na Câmara dos Deputados, está pronta para votação em Plenário da proposta que pretende instituir uma nova lei contra o racismo, mais severa (PL 6418/05 e apensados). Pelo relatório da Comissão de Direitos Humanos, ficaria revogado também artigo do Código Penal sobre injúria racial, cuja prática, diferentemente do crime de racismo, não é inafiançável e imprescritível.

A pergunta que fica, portanto, é a seguinte: quem seria capaz de jogar uma banana por onde Barack Obama passar? Quem teria tal coragem de repetir esta insanidade, aqui no Brasil, pelo lugar onde Joaquim Barbosa passasse? Uma das respostas que poderia ser adiantada é que o racismo, além de ultrapassado é covarde.

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