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Em meio à modernidade, índios lutam para manter tradição 

Em meio à modernidade, índios lutam para manter tradição 

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09/08/2017 às 10h03 Atualizada em 09/08/2017 às 13h03

Nesta quarta-feira (09) comemora-se o Dia Internacional dos Povos Indígenas, com o intuito de homenageá-los, a Folha Extra foi até a Aldeia Tekóa Porã, em Itaporanga/SP, onde entrevistou a tribo que é existente na cidade desde 2006.

A aldeia possui 13 famílias, que ao todo somam aproximadamente 43 pessoas. A propriedade na qual eles vivem totaliza 4 alqueires, por este motivo, não vivem da agricultura.

A subsistência deles é o artesanato, depois de produzidos na aldeia eles vendem os assessórios em feiras culturais, além de receberem uma renda da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Povoado em 2006, eles estão há 11 anos no município, durante quatro anos andaram por diversos lugares da cidade, até que em 2010 encontraram o local onde moram atualmente. Na área há uma escola e cabanas, onde fazem orações e mostras do início do povoado e de objetos artesanais para venda.

Os índios da tribo recebem dois nomes, um em português e outro em tupi-guarani, a fim de facilitar a convivência com outros cidadãos.

TRADIÇÃO

Apesar das mudanças que os dias atuais trazem, os índios vivem de acordo com suas tradições antigas e passam seus ensinamentos para os mais jovens, que darão continuidade a cultura.

A professora Rosa Marcolina da Silva, a Kunhã Dyatsytata (Mulher do Brilho), conta sobre a tradição vivida dentro da aldeia. “Nós falamos o tupi-guarani e o português, ensinamos a nossa cultura para as crianças desde pequenos, e esperamos com isso, manter a nossa tradição preservada durante várias gerações”, comenta.

A professora Erica Priscila da Silva, a Kunhã Ayrokya (Mulher da Dança), comenta a necessidade de serem reconhecidos pela comunidade. “Nós queremos ser reconhecidos, infelizmente, muitas vezes nos sentimos como um passarinho dentro da gaiola, ele é exposto, as pessoas elogiam, mas eles permanecem trancados, queremos poder ser livres e mostrar que temos uma cultura linda e rica. Não somos uma atração, somos pessoas que merecem respeito”, frisa.

O vice-cacique Valdir Rocha, o Awawyty (Homem do Vento) ressaltou que ainda é muito difícil enfrentar as pessoas que não valorizam a tradição indígena, pois, muitas tribos se perdem na cultura e fazem com que todas as outras sejam intitulados com o ocorrido. “´Por isso que eu digo, não podemos deixar nossos costumes que recebemos de nossos antepassados de lado”, explica.

RECEPTIVOS

O vice-cacique recepcionou a Folha Extra dizendo: “Pemãe Porã Nhandekwai” que significa, sejam bem vindos a nossa pequena aldeia, além da frase singela e acolhedora, os índios adoram receber visitas, fazem danças, roda de conversa, pintura facial, confecção de artesanatos, brincadeiras, além de contar histórias sobre a tribo. Segundo eles, as visitas são uma forma de se sentirem mais felizes e acolhidos pela sociedade.

Os índios são extremamente receptivos e convidam as pessoas para conhecer a Aldeia Tekóa Porã. “A tribo recebe bastante visitantes de todos os Estados, principalmente de escolas, mas, gostaríamos de deixar o convite para todas as pessoas que sentem vontade de conhecer novas culturas que visitem a tribo, todos serão bem recebidos, independente de cor ou religião, não desprezamos ninguém”, ressalta Reginaldo Rodrigues, o Awayapy (Homem do Trovão).

EXPANSÃO

A tribo conta com quatro professores os quais fornecem ensino até o 6º ano, seguindo o currículo do Estado, conhecem a língua matriz e neste ano, expandiram o conhecimento para a cultura étnica. Após o ensino fundamental os alunos são transferidos para colégios da cidade.

Através do apoio da Secretaria de Cultura a tribo deseja tornar o local mais convidativo, com um espaço recreativo, onde vai proporcionar atrações como trilha, rapel e comidas típicas. Além da preparação e adaptação da aldeia, com realização de eventos culturais, melhorias na estrutura física, capacitação e treinamento de guias e monitores membros da própria aldeia.

”Estamos fazendo tudo isso visando a melhoria de vida e geração de renda desta comunidade, atualmente, a aldeia está inserida no projeto de desenvolvimento turístico do município, e já vem tendo um crescimento importante em relação ao fluxo de turistas que por ali passam”, comenta o secretário de cultura e turismo, Cassiano Campos Godoi.

Cassiano aproveitou o momento para convidar a todos para a 1ª Corrida Cultural da Aldeia Tekoá Porã. “O evento acontecerá no dia 08 de Outubro, nas dependências da própria aldeia, com trilhas ao seu entorno, com participação de corredores e maratonistas de toda região”, pontua.?

 

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