
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou oficialmente ao cargo nesta quinta-feira (5/11), sucumbindo a uma avassaladora crise política e financeira que paralisou o país. O anúncio ocorreu no momento em que o Congresso paraguaio abria uma sessão extraordinária para votar seu impeachment, processo que contava com o apoio unânime da oposição e da própria base governista do Partido Colorado, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes.
Em um pronunciamento gravado em vídeo, o líder conservador pediu desculpas à população e justificou a decisão afirmando buscar a “estabilidade do país” e a preservação das instituições democráticas. O estopim para a queda do chefe de Estado foi o colapso do Ueno Bank, banco digital que teve suas operações suspensas pelo Banco Central em 2 de novembro após a identificação de graves problemas de solvência.
A intervenção congelou os recursos de aproximadamente 2,9 milhões de clientes, número equivalente a quase metade da população do Paraguai, e colocou sob risco cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos administrados pela instituição. A crise rapidamente escalou para a esfera pessoal do presidente, que foi acionista do Grupo Vázquez, controlador da fintech, até março de 2025.
Acusado pela oposição de omissão e conflito de interesses na fiscalização do sistema financeiro, Peña viu sua sustentação política ruir em questão de dias. As investigações sobre a derrocada da instituição financeira já resultaram na prisão de oito dirigentes e na denúncia formal de 27 pessoas ligadas ao grupo.
A pressão popular nas ruas, aliada à perda do respaldo de seu próprio partido e ao ultimato do presidente do Congresso, Basilio Núñez, tornou a permanência do governante insustentável, culminando no desfecho dramático para o Poder Executivo em Assunção.
Fonte original Portal Leo Dias.