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“A cada três grávidas que atendo, duas são adolescentes”, afirma ginecologista

“A cada três grávidas que atendo, duas são adolescentes”, afirma ginecologista

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03/04/2018 às 19h34 Atualizada em 03/04/2018 às 22h34

A adolescência é uma fase complicada, que carrega consigo diversas indecisões sobre o futuro, contudo, a situação se torna ainda mais conturbada quando os hormônios começam a “borbulhar”, nesse momento é necessário tomar todo tipo de precaução para evitar uma gravidez indesejável na adolescência.

Para abordar o assunto, a Folha Extra entrevistou o ginecologista Delcino Tavares da Silva que, com 49 anos de profissão, tem propriedade para informar a tipologia das meninas que engravidam, os fatores de risco, tanto para mãe, quanto para o bebê e, também, como a gravidez reflete na vida das adolescentes.

Primeiramente, o especialista informa que, em sua maior parte, as meninas que engravidam são de classe baixa, pois às vezes não há acesso à informação ou métodos contraceptivos.  Além disso, ele relata que a maioria das grávidas que atende em seu consultório são menores de idade.

Ginecologista Delcino Tavares da Silva (Foto: Juliana Souza)

“A cada três grávidas que eu atendo, duas são adolescentes”, assegura o ginecologista afirmando que o número preocupa. Afinal quanto mais jovem a menina for, mais riscos ela corre, por se tratar de um corpo ainda em formação.

“Com idade abaixo de 17 anos, a adolescente é classificada em um grupo de alto risco, pois o corpo ainda está em desenvolvimento, amadurecimento ósseo e formação interna”, afirma Delcino.

 

Formação do Corpo

Uma das preocupações entre os especialistas é quanto à formação da criança, devido a compatibilidade do tamanho do bebe com o tamanho da bacia da gestante, além de cuidados com a aferição de pressão, pois, normalmente, quando grávidas, as jovens tem alta na pressão, outro dado preocupante é que a maioria dos partos precisam ser cesárias.

“É muito importante que as adolescentes façam o pré-natal para que diminuam os fatores de risco, felizmente todos tem acesso à atendimento e é necessário que procurem o sistema público para garantir a saúde, tanto da mãe, quanto a do bebe”, finaliza o ginecologista.

 

Experiência

Aos 18 anos, ainda sem terminar o Ensino Médio, Amanda Natiele de Oliveira descobriu que estava grávida, ela conta que planejava ter filhos, porém, após terminar os estudos e se estabilizar em um serviço. O pai da criança também desejava arrumar um emprego fixo, contudo, a surpresa da gravidez mudou os planos do casal.

“Quando descobri que estava grávida foi muito difícil, mas mesmo assim fiz todos os exames necessários que o pré-natal exigia. Oriento aos casais que se preservem, mas afirmo que mesmo não tendo sido planejado, foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida”, frisa Amanda.

 

Precaução

Ana Paula Morena Parra, enfermeira e coordenadora do Núcleo de Atenção Básica de W. Braz, explicou à reportagem,os cuidados que são tomados dentro da área hospitalar e nas casas das adolescentes.

A Secretaria de Saúde oferece anticoncepcionais, preservativos masculinos e femininos, Diu (Dispositivo intrauterino), orientações sobre as formas de uso e palestras de conscientização.

O setor ainda dá garantia de atendimento às adolescentes, como comenta Ana. “A gente presta todo atendimento a jovem, não esperamos ela vir até nós, os agentes comunitários vão até as casas, se a jovem falta a consulta, a gente liga e pede para ela voltar para unidade e busca saber o motivo da falta, além disso, todos os especialistas relatam no prontuário a situação dessa gestante, isso para todas as grávidas, não exclusivamente para as adolescentes”, afirma Parra.

Após o nascimento, caso a mãe não tenha condições, o município fornece o leite, se há uma receita médica informando que o bebê necessita de um complemento é só levar ao Pronto Socorro Central, que a Assistência Social atende a necessidade. Fralda não está inclusa na lista de fornecimento.

Todos os meses, até um ano de idade, uma enfermeira acompanha a criança e faz visitas à residência.

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