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Preconceito e vida na estrada

Preconceito e vida na estrada

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10/04/2018 às 17h57 Atualizada em 10/04/2018 às 20h57

Quem nunca ouviu falar do mundo mágico do circo? ícone da infância de muita gente que arranca sorrisos e gargalhadas de crianças a adultos. Mas a vida no circo vai além das palhaçadas e daqueles números que dão frio na barriga. Quem nunca se perguntou como as crianças circenses fazem para ir para escola? Quantas viagens eles fazem por ano? Eles têm casa? Como é a vida de quem vive no circo? A Folha Extra foi atrás das respostas para estas perguntas e nas próximas linhas apresenta um pouco da experiência da vida circense.

Gilson Oliveira, que dá nome ao circo através do palhaço “Pisca Pisca”, está à frente da companhia desde 1991, mas conta que a história começou bem antes. “Eu criei o Pisca Pisca quando tinha 15 anos e assumi o circo na década de 90. Agora, vou fazer 50, mas o circo está em minha família desde a minha bisa avó que o trouxe da Espanha”, explicou.

O circense comentou sobre como é a vida da família no circo. “A gente vive na estrada, cada ônibus é um motor home. Temos bastante parentes em Curitiba e vamos visitá-los como em toda família, mas nossa casa é o circo”. A filha, Patrícia Oliveira, complementou a fala do pai. “O quintal da nossa casa é o circo e o bacana é que o amor por essa vida vai passando de geração em geração”, declarou.

Ainda no bate-papo sobre o ‘pé na estrada’, Gilson falou sobre as viagens. “A quantidade de viagens depende muito das cidades que passamos, pois não tem dia certo para sair. Há lugares que ficamos uma semana, outros um mês. Mas em média são de oito a nove viagens por ano”, comentou.

Gilson Oliveira, o Piska Piska, ao lado de sua filha Patrícia Oliveira (Foto: Folha Extra)

Preconceito

Até mesmo para quem trabalha levando a alegria e arrancando gargalhadas da plateia, o mais triste é conviver com o preconceito. “Ainda existe discriminação. As vezes estamos montando o circo e pessoas que nem conhecem o nosso trabalho já estão discriminando. Há cidades onde não conseguimos nem conversar para se instalar. Já teve lugar que o prefeito falou ‘Eu não gosto de circo’. As vezes pulamos cidades por causa disso, o que nos deixa chateados”, contou Gilson.

Gilson complementa relatando um caso triste que viveu em sua história no circo.

“Uma vez em uma cidade teve um assalto a joalheria. A polícia veio com mandado e revistaram tudo. Depois descobriram quem tinha roubado e pegaram o cara, mas nós ficamos muito chateados”

Mas o palhaço Pisca Pisca relata o lado bom de viver no circo. “Nós ajudamos as pessoas como podemos, com a nossa arte. Fazemos sessões para os alunos da rede pública, arrecadamos alimentos para APAE, Lar de idosos, hospitais e etc. Além disso, criamos muitas amizades por onde passamos e isso é muito gratificante”, comemora.

 

Como estuda o circense?

Uma das grandes curiosidades que surgem quando se fala em circo é: onde e como as crianças do circo estudam? Pois, no bate papo com o palhaço Pisca Pisca, foi possível descobrir que ele tem até curso superior pela PUC/PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) e olha que não é piada não. Patrícia contou um pouco como é a experiência de conciliar a vida de viagens no circo com a escola. “Nós tínhamos uns nove primeiros dias de aula na escola. Era difícil porque tinha que correr atrás de matéria e ir se adaptando, mas a gente consegue. Terminei meus estudos e meu pai é formado em Artes Cênicas”, contou.

O direito a educação é assegurado através de resolução do Ministério da Educação e Cultura (MEC) para crianças em situação de itinerância, como é o caso dos circos. “Existe uma lei que protege as crianças circenses e a escola tem que aceitar, mas graças a Deus nunca precisamos utilizar, sempre fomos bem recebidos. Meus filhos se formaram e agora meus netos estão indo para escola”, comemora Gilson.

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