
Por Flávio Mello
Secretário Municipal de Cultura
@flaviomelloescritor
Há acontecimentos que começam como uma ideia simples: fazer rock na praça, abrir espaço para artistas e criar um lugar onde música, cultura, arte e pessoas possam se encontrar. Foi assim que nasceu o Motirô Cultural, em Jaboti.
O nome, de origem tupi-guarani, remete à reunião de pessoas para realizar um trabalho coletivo, com ajuda mútua e um propósito em comum. E talvez não exista definição melhor para esse encontro.
Depois de duas edições, o Motirô chega à sua terceira edição, nos dias 5 e 6 de setembro, ocupando novamente a Praça Central de Jaboti com uma programação que vai muito além da música.
No sábado, a partir das 19h, o palco recebe a Machete Bomb, com sua mistura de rock, rap, samba, crítica e muita atitude; a The Napster, diretamente de Curitiba, trazendo o rock dos anos 1990 e 2000; e a Mamilos Polêmicos, com seu irreverente tributo aos inesquecíveis Mamonas Assassinas.
No domingo, a partir das 10h, a programação começa com a Pátria Fúria, seguida pela McBarker, que retorna ao Motirô depois de participar das duas primeiras edições. E, para fechar o evento em grande estilo, chega a Big Time Orchestra, com mais de 20 anos de estrada, mais de dois mil shows e uma sonoridade que mistura rock, soul, jazz, rockabilly e pop.
Mas o Motirô não vive apenas de música.
Durante os dois dias haverá 1ª Exposição de Carros Antigos, encontro de motoclubes, artesanato, exposições, gastronomia, tatuagem, piercing e outras manifestações culturais. A praça se transforma em um grande espaço de convivência, onde diferentes públicos podem encontrar alguma razão para ficar.
E é justamente essa diversidade que chama a atenção.
No Cultura em Distorção, programa que apresento na Rádio Alternativa FM 87,9, sempre defendo que música é também memória, identidade e história. Uma canção pode nos levar de volta a uma época, um show pode marcar uma geração e um festival pode se transformar em lembrança coletiva.
Por isso, estarei presente no Motirô fazendo uma cobertura especial para o Cultura em Distorção e também para o Jornal Correio do Norte.
Vou acompanhar os shows, conversar com artistas, organizadores e participantes, registrar os bastidores e, principalmente, ouvir as histórias de quem ajuda a construir esse encontro. A ideia é levar para o rádio e para as páginas do jornal não apenas o que aconteceu no palco, mas aquilo que acontece ao redor dele.
Porque cultura também está no público.
Está na pessoa que viaja para assistir a uma banda. No artesão que leva seu trabalho. No motociclista que chega com seu grupo. No tatuador que transforma pele em expressão. No comerciante que prepara seu espaço. Na família que ocupa a praça. E no artista que encontra ali a oportunidade de mostrar aquilo que faz.
Eu estarei lá para viver e contar essa história, pelo microfone da Rádio Alternativa, pelas páginas do Jornal Correio do Norte e também através desse olhar de cronista que procura encontrar, em cada evento, aquilo que vai além da programação.
Porque talvez essa seja a maior riqueza de um encontro cultural: quando termina, alguma coisa permanece.
A última música acaba. As luzes se apagam. A praça volta ao seu ritmo cotidiano.
Mas ficam as conversas, as imagens, as descobertas, as amizades e as histórias.
O Motirô termina. A experiência fica.

Flávio Mello é escritor, músico e gestor cultural paulistano, com obra marcada por lirismo urbano, crítica social e escuta sensível. Após um acidente na juventude, encontrou na literatura um caminho de reconstrução e expressão profunda. Estabelecido em Siqueira Campos (PR), transformou a cena cultural local por meio de projetos, festivais e políticas públicas, sendo amplamente reconhecido por seu impacto regional. Sua escrita transita entre o realismo brutal e a poesia do cotidiano, abordando temas como infância, fé, masculinidade e resistência. É membro de academias literárias e segue criando, também na música, com um projeto de doom metal filosófico.