
Cores vibrantes, formas inusitadas e cheiros mais que agradáveis, são algumas características das flores no Norte Pioneiro. Apesar de sua beleza, a produção desse ramo ainda é pouco valorizada, mas isso não é empecilhos para os produtores da região, que trabalham duro e vem ganhando seu espaço merecido no mercado.
Um exemplo dessas pessoas é a produtora Ana Maria Barth Reis, que está há 26 anos no ramo com sua produtora “Flores minha mãe”. “Minha produção de flores começou há 26 anos, com uma pequena estufa, que com o tempo foi sendo ampliada e hoje cultivamos uma grande área, distribuída em vários barracões”, comenta.
Em apenas 2,4 hectares, Ana cultiva crisântemos, a principal flor de corte do mercado brasileiro e uma das mais belas da região. Desde que resolveu investir neste ramo, fez progressos econômicos significativos, como a aquisição de um caminhão para entregar a produção anual e a instalação de uma câmara fria para conservar as flores.
Ana Maria começou sua produção com apenas 250 vasos e hoje com o crescimento do negócio emprega 15 pessoas nos picos de safra. “Nós plantamos semanalmente, mas o pico de produção é para o dia de finados, que esse ano está sendo produzido 25.000 vasos”, comenta.
A propriedade fornece flores para quase todas as floriculturas do Norte Pioneiro e da região dos Campos Gerais. As flores produzidas por Ana chegam a ser comercializadas a R$ 15 nas floriculturas, dependendo das montagens dos arranjos. A produtora conta que, compradores domésticos de várias cidades da região se dirigem até a propriedade para comprar especialmente dela.
Como todo trabalho, o ramo de flores exige esforço, dedicação e, neste caso, muita delicadeza. “Neste ramo temos que ter muita dedicação, já que as flores são muito delicadas. Além disso, os cuidados são muitos e o investimento para a construção das estufas é anual, principalmente para evitar prejuízos”, explica.
Os canteiros utilizados por Ana contam com um sistema específico de irrigação para não deixar faltar água para as plantas e o cuidado com as pragas é rigoroso. “O controle de pragas é feito pela aplicação de fungicidas, sendo preciso estar atento diariamente ao aparecimento de doenças que podem comprometer toda a produção”, conta.
Entre os lados negativos, Ana comenta sobre a falta de incentivo público no ramo. “Como é um ramo que não tem incentivo, são poucos produtores que se arriscam a produzir porque é uma plantação de altíssimo risco devido à fragilidade das estruturas e as intempéries do tempo, que danificam e deixam prejuízos cada vez que acontece”, explica.
Para esse problema, Ana encontrou a solução na família, que a ajudou com todos os processos para que sua produção alcance o patamar atual. “Se houvesse linhas de crédito específicas, outros pequenos produtores também iriam investir no cultivo de flores, o que tornaria possível criar um núcleo de produtores, fortalecendo a atividade”, pontua.
Aos que querem seguir o mesmo caminho, Ana aconselha a ser perseverante e não medir esforços. “Está é sim uma profissão arriscada, mas muito gratificante. Assim que comecei a trabalhar com flores me sinto realizada profissionalmente. Apesar do pouco incentivo público, trabalhar com esse segmento vale a pena e, sempre que posso, gosto de incentivar para que outras pessoas também entrem para esta carreira”, finaliza Ana.