
Segundo o diretor superintendente, a tendência é da situação piorar e de não haver mais medicina
“A noite deste domingo e a madrugada desta segunda-feira tiveram a pratica de uma medicina possível e não a ideal”. O desabafo feito à Banda B, pelo diretor superintendente do Hospitalar do Trabalhador (HT), Geci Labres de Souza Júnior, é o retrato da realidade vivida nos principais hospitais da capital. Neste domingo, chegou a se ter uma fila de pelo menos seis ambulâncias com pacientes de covid-19 aguardando atendimento no HT, localizando no bairro Novo Mundo, em Curitiba.
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Segundo o diretor superintendente, a tendência é da situação piorar. “Se hoje a gente não realiza mais a medicina ideal, mas sim a possível, no futuro a tendência é de nem haver medicina, porque estamos na iminência de perder o controle da situação e acontecer que nem em Manaus. A situação é caótica e o duro é ter pessoas que não aceitam isso e nos questionam ainda, ‘ah, por que não dão o tratamento precoce’? Acordem, o mundo não tem tratamento precoce, vocês acham que a gente gosta desta situação que estamos passando? O que a gente mais queria é que houvesse uma solução fácil”, desabafou.
De acordo com o médico, o temor é que as equipes tenham que, em breve, escolher quem será entubado ou receberá oxigênio. “Estamos caminhando para isso se a população não entender a gravidade da situação. Volto a repetir, eu não consigo entender como ainda há negacionistas. Como pode ter gente que acha que é um sensacionalismo da imprensa? Em que realidade vivem? É Um sofrimento imenso, sem fim e uma morte difícil e sofrida que estamos presenciando todos os dias”, disse.
O diretor superintendente confirmou uma fila de ambulâncias de pacientes covid na noite deste domingo. “Quando chega um paciente em ambulância com covid-19, ele precisa passar por todo um processo para definição de um destino adequado, porque chegam aqui já bem debilitados. Dentro da ambulância, eles estão com assistência médica e não estão desassistidos. Realmente ontem tivemos até fila de veículos”, explicou.
No atual momento, o médico afirmou que os leitos só estão sendo liberados com a morte dos pacientes. “Isso acontece porque há uma demora maior na alta, uma necessidade de ficar mais tempo na UTI. A nova cepa é diferente, com mais transmissibilidade e pegando jovens, que tem um combate ao vírus que leva mais tempo. No período anterior, eram pacientes de mais idade, portanto mais frágeis. Não há como sustentar uma situação dessa por longo tempo”, concluiu.
Boletim divulgado ontem pela Secretaria Estadual de Saúde (SESA) aponta que mais de cinco mil pacientes estão internados com a covid-19 no Paraná, o que é um recorde desde o início da pandemia.
Fonte Banda B