Janeiro de 2010, e alguns municípios do Norte Pioneiro foram completamente devastados por enchentes. Junho de 2014, e a região passa praticamente ilesa às fortes chuvas que caíram em todo Paraná e causaram prejuízos catastróficos no Sul do Estado. Entretanto, ainda que tenham planos de contingência e ações “preventivas”, os municípios ainda convivem com o temor de que enchentes voltem a se repetir e causar grande destruição.
Na região os dois mais prejudicados em 2010 foram São José da Boa Vista e Tomazina, que tiveram boa parte de seu território (tanto rural quanto urbano) tomado – e destruído – pelas águas dos rios que transbordaram.
Nesta semana, depois da catástrofe que atingiu o Sul do Estado, quatro municípios do Norte Pioneiro foram incluídos entre os que estão em estado de emergência: Figueira, Jaboti, Santana do Itararé e Tomazina.
Apesar disto, e das posteriores medidas que as prefeituras especialmente de São José e Tomazina tomaram, o medo ainda de novas enchentes prevalece.
No primeiro município, as chuvas do final de semana não causaram danos, diferente de Tomazina, que já sofre com novos (ainda que pequenos) prejuízos. Em comum, planos de emergência em caso de enchentes, e o temor dos gestores públicos.
“Totalmente preparado ninguém está, mas dentro daquilo que é possível estamos prontos sim para pelo menos minimizar possíveis estragos em caso dos rios encherem”, afirma Paulo Henrique da Silva, chefe de Gabinete da prefeitura de São José da Boa Vista. “Neste final de semana, logo após as chuvas fortes, nosso Conselho de Defesa Civil percorreu a zona rural e locais ribeirinhos para, em caso de problemas, agir de imediato”, continua.
Apesar disto, Paulo Henrique relata o medo e o problema de famílias que insistem em morar em locais condenados pela Defesa Civil. “Depois do que aconteceu sempre vamos ter medo, quem viu aquela enchente não vai esquecer. E para piorar temos locais condenados, onde as pessoas foram retiradas, mas depois voltaram a morar lá. Então se der uma enchente forte é problema na certa”, afirma.
Já o diretor do Conselho de Defesa Civil de Tomazina, Michel Couto Mendes, revela que o município está enfrentando problemas em decorrência das fortes chuvas recentes. “Temos duas pontes que foram levadas, outras 20 danificadas e pelo menos 60 quilômetros de estradas rurais prejudicadas”.
Em caso de uma grande enchente, Michel afirma que a prefeitura já tem preparado locais para funcionar como abrigos para pessoas desalojadas, entre outras ações. “Nosso conselho está sempre atento a qualquer indício de cheia do rio. Não tem como lutar contra a força da natureza, mas temos que estar preparados para uma possível grande enchente a qualquer momento, já que o rio das Cinzas corta nosso município”, relata.
“Temos um local que funcionaria como abrigo, lista de funcionários e várias outras medidas que podem pelo menos diminuir os estragos de uma enchente, e fazer com que as pessoas, dentro do possível, tenham condições humanas de enfrentar uma situação destas”, completa.
POR LUCAS ALEIXO