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Linha férrea: problema no Paraná, abandono na região

Linha férrea: problema no Paraná, abandono na região

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29/07/2015 às 09h13 Atualizada em 29/07/2015 às 12h13

Quem cruza pelos trilhos do trem aqui na região dificilmente imagina que os cruzamentos em nível da linha férrea no Estado foram responsáveis por centenas de mortes na última década. E isto aconteceu porque aqui os trilhos têm muito mais um “efeito lombada”, fazendo motoristas reduzirem a velocidade, do que qualquer outra coisa. Em compensação o Paraná é o quarto Estado brasileiro que mais registra mortes em acidentes envolvendo trens.

O Ramal do Paranapanema, que vai de Jacarezinho a Jaguariaíva e corta a região, está completamente desativado há mais de 10 anos, embora seus trilhos continuem fazendo parte da “decoração” dos municípios onde passa.

Entretanto, se não há problemas de trânsito, outras situações acontecem, como o desafio do urbanismo que as cidades enfrentam ao ter que “driblar” os trilhos e os constantes problemas de violência (especialmente com relação às drogas) onde o antigo caminho dos trens passa.

Por não haver iluminação em vários trechos urbanos da linha férrea, os locais se tornam ambientes propícios para tudo que precisa de uma certa discrição, por assim dizer.

Outra questão é sanitária. Os bairros que se formaram nos arredores dos trilhos, e vale dizer que boa parte deles são invasões, sofrem com a proliferação de espécies peçonhentas. Os trilhos sem movimento são úmidos e formaram um ambiente perfeito para a criação e procriação de escorpiões, por exemplo.

Entretanto, estes problemas parecem pequenos se comparados a graves acidentes causados em boa parte pelas más condições de trilhos e composições, além de sinalizações ineficientes. O ramal que liga Ourinhos (SP) a Londrina, por exemplo, já causou dezenas de acidentes em Jacarezinho, Cambará e Bandeirantes, por exemplo, nos últimos anos.

Assim, não é difícil imaginar que se o trem estivesse em plena atividade no Ramal do Paranapanema os problemas não se restringiriam questões de maior policiamento e dedetização. O ramal cruza pelo centro de várias cidades e, se em grandes centros existem problemas extremamente sérios, o que se imaginar de uma estrutura desde sempre deficiente?

Ao invés do consumo de drogas e aparição de escorpiões, praticamente todos os moradores que cruzam ou vivem perto dos trilhos estariam correndo sério risco de acidentes, de diferentes origens, como descarrilamentos e batidas entre veículos e composições nos cruzamentos.

 

ESTAÇÕES

De qualquer forma, a administradora dos ramais, a ALL (América Latina Logística) reformou algumas antigas estações ferroviárias da região e as cedeu para as prefeituras, que deverão fazer uso dos espaços como locais de âmbito cultural, com ligação à vasta memória ferroviária regional.

As reformas chegaram a causar grande boataria sobre uma utópica volta da circulação do trem na região, que foi prontamente desmentida pela ALL.

 

O RAMAL

O Ramal do Paranapanema foi construído entre 1910 a 1930, ligando o distrito de Marques dos Reis, município de Jacarezinho mas já na divisa com o Estado de São Paulo, a Jaguariaíva. Por ter poucos restaurantes ao redor da linha, o ramal acabou apelidado de “Ramal da Fome”, título que acompanha a região muito em virtude do fraco desenvolvimento econômico local.

Em 1979 o tráfego dos trens de passageiros foi extinto, enquanto em 2001 o ramal foi completamente desativado por ser cheio de curvas e considerado obsoleto.

LUCAS ALEIXO

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